Geraldo Alckmin, no melhor estilo nazista, reprime manifestações contra o golpe.

Perdeu a visão do olho esquerdoParticipei, dia 01/09, da manifestação “Fora Temer” na Paulista. Concentração no vão do Masp.

Cheguei por volta das 18:00. Dei uma geral. Vi poucos manifestantes. Em compensação o aparato repressor era enorme.

Meu deus, eram muitos policiais!

Havia base móvel, comando tático, rocam, choque, GOE, polícia civil, cavalaria, dois caminhões de transporte do Choque e helicópteros. Moto contei umas 30. Policiais uns duzentos.

A maioria usava capacete, escudo, tornozeleira, joelheira, caneleira, cotoveleira, ombreira, cassetete, coturnos e rifles ou espingarda. Estilo “Robocop” ou, se preferirem, “Tropa Estelar”.

Visualmente, essa indumentária toda transforma um nanico num “Superman”.

As motos e a tático ficavam desfilando pela avenida. Pra lá, pra cá.

As vezes estacionavam. E os policiais desciam com armas em punho e gestos intimidadores. A ideia era assustar os suscetíveis à assusto, evidentemente.

Eram tantos que me perguntava se ia haver passeata ou desfile militar.

Próximo das 19 horas a manifestação ganhou corpo.

A maioria dos participantes eram composta por jovens. Entre 16 e 23 anos. Identifiquei algumas bandeiras. UBES, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e do PT. As mulheres eram as mais aguerridas.

19:30 começou o protesto pra valer.

Gritavam “Fora Temer”, “Fora Golpistas” e “Fora Rede Globo”.

Pediam o fim da polícia militar e eleições diretas. E cantavam. E nesse vai-e-vem de indignação o número de participantes foi aumentando, aumentando, até que, pelas minhas contas, chegamos a 1000 pessoas.

A polícia “intergaláctica” interrompeu o transito na Paulista. Tomada imediatamente pelos integrantes do movimento.

Os líderes negociaram com a PM o trajeto. Não consegui ouvir o que combinavam.

Enquanto conversavam, parte da tropa fez linha e bloqueou a avenida num sentido. Ou seja, proibiram o acesso dos manifestantes ao prédio da FIESP, Federação da Indústrias de São Paulo participantes do golpe de estado.

20:00, a passeata teve início.

Gritávamos “Fora Temer golpista”. “Fora Cunha”. “Fim da PM”. “O povo não é bobo, fora rede Globo” entre outras coisas.

Em certo momento a passeata homenageou a Débora, a garota que perdeu a visão esquerda atingida por bala de borracha disparada por algum policial. Emocionou.

Durante o trajeto fomos acompanhados pela PM. Do nosso lado direito PMs em fila e a pé, do outro, carros da tático. Atrás, o choque, mais carros e por fim motos.

Quando parávamos imediatamente dos carros desciam os policiais com armas em punho. Era clara a intenção de causar apreensão.

Chegando na esquina da Paulista com a Consolação outro bloqueio policial. Não entendi nada.

Os líderes pediram que sentássemos. Assim foi feito. Usando de jogral passavam as informações.

Ali era o fim da passeata.

O quê? Será que tinha ouvido bem? Fim da passeata?!

Não! Só podia ser brincadeira! Não tínhamos andado nem 400 metros!

Caramba! Esse protesto entraria para o livro dos recordes como a menor passeata do mundo! Pensei com meus botões.

Mas assim estava combinado com o PM.

No entanto, após deliberações surgiram outras propostas.

Dispersar? Não!

Ir em direção à FIESP? A repressão não deixaria.

Ir até o MASP e dispersar? Não! Ridículo.

Ir fazer escracho na Abril? Boa ideia!

Ir à sede do PMDB? Ovação! Gritos!

Beleza decidido! PMDB!

Só faltava combinar com os representantes da futura ditadura.

Quando nos levantamos percebemos que estávamos totalmente cercados pela polícia.

Todas as ruas bloqueadas. Não podíamos ir pra frente. Nem pra trás. Nem para os lados.

Presos! Irremediavelmente presos!

Pô! O que a PM queria com essa atitude? Que passássemos a morar na Paulista?

Que estupidez!

Imobilizados, só nos restava esperar os resultados das negociações.

De repente, correria! Princípio de tumulto! Gente caindo!

Olhei em volta e não percebi nenhuma movimentação por parte dos selvagens cães de guerra. Então o porquê desse corre-corre.

Vai ver que algum dos militares fez uma brincadeira inocente. Como, por exemplo, ameaçar disparar com arma não letal.

Bem, histeria controlada os líderes voltaram a confabular com o major.

Conversa vai, conversa vem, fomos instruídos a se dirigir a uma das ruas laterais. Ali estava liberado.

Ledo engano. Após alguns passos os que estavam na frente começaram a voltar. A polícia fechou este caminho também.

O major e seu segurança foram até onde estava o bloqueio. Conversou com um dos oficiais. E acabou voltando também.

Aparentemente o major só cantava de galo. Que comandava mesmo não estava ali e sim no helicóptero.

Não é por ser descendente de japonês, mas o major lembrava em postura e em vestimenta um samurai.

Bom, entendi porque o pessoal do PSDB acha que somos ratos. Estávamos numa imensa ratoeira. Tratados como ratos. Assim os golpistas nos enxergam.

Após 50 minutos, quase terminando minha carta de testamento, liberaram para que descêssemos pela consolação em direção República. Ainda bem!

Não acompanhei esse trajeto, estava muito cansado.

Parado, fiquei olhando a passeata se distanciar levando consigo o aparato repressor.

A melhor imagem que vem à minha cabeça quando relembro este último instante é a manada de bisões sendo seguida por uma matilha de lobos, pronto para, atiçar e atacar a qualquer vacilo.

Senti, naquele momento, que não havia ninguém para protege-los. Ninguém. Os jovens estavam entregues a sanha assassina dos golpistas. Não havia políticos, procuradores ou qualquer outra autoridade que pudesse interceder por eles.

Mais tarde soube, graças a mídia Ninja, que a passeata pacífica, no seu final, foi tumultuada por quem estava ali para garantir o direito à manifestação, ou seja, pela Polícia Militar.

Geraldo Alckmin, o governador, é culpado pela truculência da polícia.

É culpado porque toma atitudes fascistas.

Onde se viu! Se fosse os coxinhas as atitudes seriam totalmente diferentes. Tiravam fotos. Liberavam catracas do Metro, como foi feito em manifestações a favor do golpe.

O governador de São Paulo é lobo na pele de ovelha.

Os descalabros que comete transforma a instituição policial numa SS. Hitler ficaria orgulhoso do filhote.

Geraldo é do PSDB e os tucanos são os protegidos da Globo. Nada de corrupto que fazem tem a dimensão reduzida.

Globo e democracia, só uma sobrevive. E não pode, não deve ser essa emissora de sacripantas.

A Débora perdeu um olho no dia 31/08. Dia 01/09 foi um jornalista que perdeu os dentes e teve o lábio partido por bala de borracha. Coincidência? Óbvio que não!

A PM quando atira mira na cabeça. A ordem deve ser atirar para ferir gravemente ou matar. Pelo medo também se governa, acha o flibusteiro.

Mas quem semeia violência, colhe violência.

Tempos difíceis.

O ódio está solto.

Ganância de poucos levou o país a um estado de pré-guerra civil.

Mas se enganam quem acha que esse tipo de coisa irá nos intimidar. Não vamos voltar para a senzala.

Somos cidadãos, não servos!

A luta continua! Sem volta! Sem arrego!

E ratos são os conservadores, os fascistas, a imprensa hegemônica e os golpistas. E quem mais que acha que essa cambada está certa.

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