A inauguração do Campo Dr. Sócrates está carregada de simbolismos.

Inaugurado o campo de futebol da Escola Nacional Florestan Fernandes, Guararema, SP. Batizado de Dr. Sócrates. Homenagem ao ex-jogador, militante das causas democráticas, médico e criador da “Democracia Corintiana” nos anos 80.

Compareceram neste dia de festividade várias personalidades do mundo político, artístico, esportivo, jornalístico e líderes de movimentos populares. Entre eles  Lula, Chico Buarque, os jogadores Reinaldo, Paulo César Caju e Afonsinho, ex-ministro das relações exteriores Celso Amorim, ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, Juca Kfouri, Stédile, líder do MST…

Como não poderia ser diferente, o campo estreou com uma bela partida de futebol entre o time do Lula e do MST. Vencido pelo time do ex-presidente por 4 X 1. Torcida vibrante. Hipnotizada pelo desempenho dos atletas. Que dentro das quatro linhas mostraram todo seu talento com a “gorduchinha” nos pés.

Bem, pode não ser totalmente verdade quando me refiro aos participantes como “atletas”, mas também não chamei o jogo de “pelada”.  Se bem que uma torcedora observou bem: parecia um jogo de grávidas, tal a quantidade de barrigas proeminentes. Mas isso não vem ao caso.

Falemos apenas na alegria e no prazer de estar numa festa com irmãos de luta. É gratificante demais! Reconhecer e ser reconhecido como alguém que batalha contra o golpe e pela volta da normalidade democrática.

Mais. Em que outro lugar poderíamos estar lado a lado com Afonsinho. Jogador talentoso dos anos 70. E assim como Sócrates, médico. Perseguido pela ditadura por usar barba e pelo direito ao passe livre, passe do jogador, entenda-se bem. Talvez tenha lhe custado a seleção a sua atitude desafiadora e corajosa em uma época extremamente perigosa.

O evento em si foi carregado de simbolismos, propositais ou não. O juiz da partida Juca Kfouri, ou como se denominou Juca Mouro, antes da partida iniciar já tinha dado cartão amarelo para Lula. Mas, outra vez, disse:  não vem ao caso o motivo. Pelo jeito assim como o imparcial de Curitiba, o árbitro tinha convicção que Lula merecia a punição. Em determinado momento do jogo, penalty. Lula bateu, errou. Moro mandou repetir, Lula bateu e fez. Gol! Tirou a camisa e correu pra galera. Cartão vermelho.  Expulso. E a torcida gritou: “Volta Lula! Volta Lula!”. E ele voltou, nos braços do povo.

É isso. Metaforicamente falando, Lula tem que voltar ao comando do Brasil, pela vontade e querer do povo.

E o congraçamento entre os diversos movimentos, então? Historicamente a esquerda é fracionada. Cada um segue determinada corrente e persegue distintos objetivos. No entanto, o que se viu no sábado, dia 23, foi uma lição de humildade. A direção e o sentido eram únicos. O caminho foi iluminado pelo brilhantismo de todos. Cada um era uma estrela. Unidos,  formavam uma constelação. Rica, poderosa e imbatível.

Ou como disse Eunice Sélos, representante do MNAI (Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment):  “ … o Campo de Futebol Dr. Sócrates é a reafirmação do nosso caminho de luta pela volta da democracia e demonstração de nossa luta continua pela liberdade dos brasileiros escolherem seus representantes sem risco de que essa próxima eleição seja golpeada como foi a de 2014. A  luta pelo julgamento do mandado de segurança impetrado pelos advogados de Dilma Rousseff é também a defesa de que a eleição de 2018 ocorra  com o direito de Lula concorrer à Presidência  como demonstra o desejo da maioria dos brasileiros nas pesquisas de opinião.

Vida longa a Lula e a sua carreira brilhante e que a memória  do jogador Sócrates  traga ao brasileiros  mais interesse e desejo de lutar efetivamente  em prol da volta da democracia e pela anulação desse impeachment  fraudulento”.

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Vamos mostrar que aqui também tem luta.

Os argentinos gritam: aqui não é o Brasil! Se tentarem mexer com os nossos direitos  o “pau vai quebrar”.

E não é que tá quebrando mesmo! Manifestações gigantesca tomam conta da capital, Buenos Aires. Há enfrentamento com os órgãos repressores. Feridos dos dois lados. Greve. Caos.

Bem diferente do que se vê por aqui, não é mesmo? Acabam com CLT, e a reação? Pífia. Detonam com conquistas sociais, educacionais e econômicas todo santo dia e o que acontece? Continuamos numa passividade de tirar monge budista do sério.

O máximo que fazemos são algumas manifestações, a maioria insossas. Protestos totalmente ordeiros, frios e calculados. Só falta entrarmos em ordem unida e marchamos.  Os discursos são sempre os mesmos. Aliás, não é exagero falar, quem participou de uma, participou de todas. A consequência dessa mesmice é a diminuição do número de participantes nos protestos. Os eventos tornam-se cansativos e perdem a força impactante que deveriam ter.

Aqui a reação deveria ser muito mais forte do que a dos argentinos. Porque lá eles não sofreram golpe de estado, Macri foi eleito, ao contrário de Michel Temer que usou e abusou de artifícios indecentes para trair a presidenta, solapar o governo legitimamente eleito e usurpar o poder com ajuda de quadrilheiros da pior espécie. Canalhas e corruptos inveterados.

Na Argentina tem enfrentamento. Os “hermanos” têm  históricos de lutas. Me parece em povo mais aguerrido. Aliás, sempre foram.

Basta comparar as ditaduras de cá e de lá.  A brasileira durou 21 anos. A dos argentinos, 7. Aqui teve aproximadamente 600 mortos, lá, 30 mil! Por que desta brutal diferença? Será que os nossos torturadores eram bonzinhos enquanto os deles eram perversos? Será que os repressores argentinos são infinitamente mais competentes que os nossos? Ou será que não temos a coragem que eles possuem de lutar contra a usurpação? Ou será que o mito de que somos um povo ordeiro, feliz e alegre é verdadeira? Ou será questão de liderança? Os de lá sabem avaliar a conjuntura  e os daqui não têm essa capacidade e se perdem no comodismo? Ou será porque eles leem muito mais do que nós?

Ou será questão de arquitetura? Sim, arquitetura! Protestar em Buenos Aires é totalmente diferente de se manifestar em Brasília. No DF há um enorme descampado. Os manifestantes quando atacados não tem pra onde correr, se esconder. A PM brinca de tiro ao pato com a gente. Fora aquela inominável e covarde atitude de jogar bomba nas nossas cabeças a partir do helicóptero. Sem  citar nomes, mas o pessoa que projetou Brasília não calculou que os poderoso da vez poderiam  transformar o descampado do congresso, do STF e do Planalto num matadouro. O caso do bombeiro que roubou um caminhão é um bom exemplo de que a arquitetura trabalha a favor dos golpistas,  se a capital federal ainda fosse no Rio de Janeiro o cara tinha arrebentado as grades do palácio, no mínimo, mas lá, deu em nada. O usurpador Temer deve ter sabido do fato pelo noticiário. Além do quê, ir pra para o Distrito Federal é caro e longe, tendo como origem SP E RJ.

Ou será que o fato de não estudarmos a fundo os quase 400 anos de escravidão, não repararmos os erros cometidos com os povos africanos, não lutarmos contra o racismo, não termos políticas de  inclusão e não eliminarmos as desigualdades nos transformaram em pessoas egoístas, soberbas, velhacas, presunçosas e resignadas?

Por aqui o descalabro, a certeza da impunidade e a ideia de que o brasileiro é acima de tudo um medroso dá coragem para os fracos e imbecis. O vídeo da sargenta da brigada militar é um caso emblemático do que está acontecendo hoje em dia com o Brasil. Ela é a cara do Sérgio Moro e da força tarefa lavajatense. Ameaça de porrada os cidadãos  que forem a Porto Alegre, no dia 24 de Janeiro,  dar apoio ao Lula. Inaugurou a PMF, Pau nos Manifestante do Futuro. Nem aconteceu e já somos constrangidos.

Olha só como sou inocente, juro que pensei que a policia fosse nos receber com banda, flores e colares de boas vindas. Não vai ser assim não?

Bem. Sem entrar em nomes, já disseram que o Brasil não é um país sério. Que nunca tinham visto um povo tão subserviente como o brasileiro.  Que a capital do Brasil é Buenos Aires  etc. Pode ser, pode não ser. Mas está faltando algo em nossa formação. Talvez amor, solidariedade, educação, respeito, dignidade…

Infelizmente, nós, brasileiros, viramos, outra vez, exemplo de pasmaceira. De passividade.

Temos chance de provar ao contrário. Não para os argentinos, mas para nós mesmos. Dia 24 de janeiro quem puder ir a Porto Alegre, vá!

 Em 61, Leonel Brizola, então governador gaúcho,  salvou o país do golpe. Quem sabe o destino nos reserve o mesmo, apesar da sargenta e da provocação portenha?

“O Globo é o que é mais pelo que não deu, pelo que deu”, Roberto Marinho.

A Globo foi delatada, nos EUA, por pagar propina pelo direito exclusivo de transmitir a copa do mundo de futebol e os jogos da seleção brasileira.

Segundo empresário argentino Alejandro Burzaco o grupo e outros pagaram 15 milhões de dólares para ter exclusividade nesses eventos.

A emissora negou veementemente qualquer envolvimento. Afirmou que fez uma  investigação interna e nada de ilícito foi encontrado e deu o caso por encerrado.

Bem, em se tratando de um país em que os golpistas de 64 se autoanistiaram e o STF concordou com essa aberração jurídica nada mais deve causar espanto, não é verdade? Nem a cara de pau desta organização.

A sorte é que a investigação está a cargo dos americanos e os Marinhos não tem como influenciar, comprar ou chantagear as autoridades de lá. Ou tem? Não podemos esquecer que a emissora trabalha com eles e para eles. Seja amaciando mentes, entregando nossas riquezas, destruindo a indústria nacional ou fazendo vistas grossas aos desmandos “yankees”. No entanto deve ser um poder menor, mesmo com a CIA por trás. Temos que acreditar na justiça… estadunidenses, é claro.

Uma coisa parece óbvia, se dependêssemos exclusivamente das autoridades brasileiras a investigação já nasceria morta. “Não vem ao caso”, como disse certo juiz. E seria arquivado, aliás,  nem viria à tona a delação.

Se fosse nos tempos pré-internet, com certeza a população não tomaria ciência de tais acontecimentos. E o JN não seria obrigado ler aquela nota boba se inocentando da propinagem.

Até o momento o PGR,  a PF e os procuradores não se pronunciaram sobre essa delação. O medo deles é muito.

A república foi sequestrada pelos donos da Globo há muito tempo. Ninguém tem coragem de enfrentá-las.  Já dizia Tancredo Neves: “prefiro brigar com o ministro do exército do que com o Roberto Marinho”. Passamos por inúmeros governos e nenhum deles teve coragem de enfrentar o quarto poder. Ou seria o primeiro?

Isso que é uma usina de poder, como dizia o Roberto Marinho.

A emissora não faz só por si, protege também quem se ajoelha perante a sua divindade.

O advogado Tacla Duran, por exemplo,  está denunciando a indústria da delação premiada criada pela força tarefa da Lava Jato. Delação nos moldes da lei,  livre e espontânea. É cidadão espanhol. Moro na Espanha e lá não é acusado de nada. Poderia viver tranquilamente, sem aborrecimentos e não foi obrigado a nada. Diferente dos nossos bandidos.

No entanto, o que seria manchete, foi simplesmente ignorado pela Globo. E por que ignorada? Porque atinge seus meninos de ouro do momento, Sérgio Moro e procuradores. O mito não pode ser destruído. O “imparcial de Curitiba” ainda tem sua utilidade, bem menor, mas tem. E o povo que só assiste a Globo mais uma vez é feita de palhaço. “O Globo é o que é mais pelo que não deu, pelo que deu”, Roberto Marinho.

Graças à internet, aos jornalistas destemidos e blogueiros temos acesso maior às informações e contrapontos à imprensa hegemônica.

Notícia boa e salutar. Tendo como protagonista o senador Lindberg Farias (PT), foi aprovado requerimento de realização de audiência pública para tratar deste caso. A Globo, teoricamente, terá que se pronunciar sobre a delação do empresário argentino. Esperar para ver.

Será que um dia a mídia será democratizada, a Globo cassada e os Marinhos impedidos de viajar ao exterior, igualzinho ao RicardoTeixeira e ao Marco Polo Del Nero, ex-presidente e presidente da CBF?

Que a fortuna nos abençoe.