Se desejamos evoluir como povo, não basta acabar com o golpe, temos que derrotar os golpistas.

Houve golpe de estado no Brasil. Não há como negar. E os poucos que ainda negam  se agarram ao discurso de  que  todos os trâmites constitucionais  foram seguidos à risca.

No entanto este derradeiro argumento desmorona como castelo de cartas quando verificamos que o motivo alegado para o “Impeachment” não passou de engodo retórico.

As tais “Pedaladas Fiscais”, que, segundo os golpistas, constituíram crime de responsabilidade fiscal, foram práticas comuns adotadas pelos governos  de Fernando Henrique Cardoso e de Lula. E nunca, nenhum deles teve suas contas reprovadas pelo TCU ou tiveram seu governo questionados sobre essa prática.

Então por que os usurpadores se agarraram à motivos tão rasos para perpetrar o golpe?

Porque encontraram pela frente uma pessoa extremamente honesta, corajosa, digna e ética. Que jamais compactuou com a corrupção ou se alinhou com os corruptos. Conclusão: não descobriram nada que a desabonasse.

E agora, o que fazer, pensaram? A solução encontrada foi armar um embuste. Montaram uma quadrilha para tanto.

A mídia detonou com a imagem da presidenta como política e como ser humano. A Globo plantou, regou, colheu e disseminou o ódio à Dilma, ao PT e ao Lula.

Aécio Neves, senador reempossado e conhecido bandido, não permitiu que ela governasse desde o primeiro dia do segundo mandato.

A câmara de deputados composta em sua maioria por conservadores, fundamentalistas e corruptos, presidida ainda pelo nefasto Eduardo Cunha paralisaram o governo com as tais “pautas-bombas”.

Com apoio da imprensa hegemônica, financiados pelo PSDB, DEM, PMDB, SD e grupos estrangeiros hordas de fascistas, tipo MBL, ganharam força e colocaram milhares de pessoas nas ruas.

Americanos, descontentes com a política de partilha do Pré-Sal, com os BRICS, com a mudança do centro da geopolítica, contribuíram para a derrubada da presidenta.

Por sua vez, a elite brasileira, tão egoísta e vaidosa, não engoliu nova derrota eleitoral, a quarta seguida. Entrou de cabeça no golpe.

O juiz Sérgio Moro e sua força tarefa azeitaram, com seus vazamentos seletivos e torturas, a engrenagem do conluio.

Michel Temer, o traidor, ficou com a incumbência de adotar medidas impopulares, depois do golpe concluído.

Destroi a previdência, a educação, a saúde, estatais e os programas sociais. Extingue com os direitos trabalhistas. O chefe do bando tem atualmente o pior índice de popularidade dos últimos 28 anos.

Mas o grande pecado da presidenta, conforme gravações e entrevistas, foi a de não ter estancado a sangria da “Lava Jato” e ter fechado o duto da propinagem.

Com forças poderosas a alveja-la diuturnamente e sem uma base sólida e disposta ao embate, sucumbiu frente aos bandidos.

O Brasil virou um caos.

Não existe mais Constituição. Pois a constituição cidadã de 1988 era um projeto de país de bem-estar social e não um conjunto de leis. E esse projeto está sendo desmontado pela canalha.

Quem está sofrendo com toda essa patifaria é a população. Somos nós que ficamos desempregados, sem amparo, sem perspectiva e sem futuro.

Diante deste quadro de atrocidades nos resta combater a fraude do impeachment. Derrotá-lo nas entranhas.

O Brasil tem histórico de golpes, é verdade. Mas também tem o histórico de NÃO combater os golpistas de modo veemente.

O Chile e a Argentina puniram de forma vigorosa os militares e civis que se aventuraram no golpismo. E o Brasil? Nada! Hipócritas de 64 se auto-anistiaram e tudo ficou numa boa.

Esperamos 24 anos por eleições diretas. Vamos fazer o mesmo novamente? Ou alguém acredita que os golpistas devolverão o poder aos progressistas apenas 2 anos depois de roubá-lo? Continuação do golpismo.

É importante anular o impeachment, reconduzir Dilma Rousseff ao poder e processar os golpistas. Dessa forma, e só dessa forma, cresceremos como nação. Voltaremos à normalidade democrática. Nós nos firmaremos como um povo. Povo brasileiro.

Temos que dar um basta nesta imoralidade. Onde já se viu uma coisa dessa, bandoleiros tiram uma pessoa ilibada, sem ter cometido crime algum, e assumem o governo? Não vamos lutar de maneira incisiva? Somos párias?

Não é naturalizando o golpe através de eleição que resolveremos este imbróglio. A quadrilha continuará solta. Maquinando novas “molecagens”. E o fantasma do golpismo continuará a assombrar futuros governantes. Esta é hora de dizer não aos oportunistas de esquerda e de direita.

O STF tem um pedido de Mandado de Segurança, impetrado pela defesa da presidenta Dilma. Os ministros têm que julgar o mérito do mandado. Os juízes podem reverter imediatamente esse estado de caos. São 11 cidadãos que têm a rara oportunidade de dar oportunidade ao país. A democracia agonizante necessita de 6 votos. Melhor do que 400 no congresso golpista, não é mesmo?

O Supremo se sujou com o golpe. Porém muito da má impressão que temos em relação ao tribunal vem do Ministro Gilmar Mendes. Que poderá ser defenestrado do cargo a qualquer momento.

Precisamos nos unir em torno da bandeira da Anulação e pressionar o STF.

São 54,5 milhões de pessoas assaltadas em seu voto. 200 milhões serão prejudicadas pelas medidas neoliberais do MT.

Se colocarmos um milhão de brasileiros nas ruas protestando e exigindo que o Supremo Tribunal Federal julgue o MS a situação poderá se reverter. As maldades do governo ilegítimo interrompidas. Depende apenas de nós.

Estamos fazendo um abaixo-assinado pedindo a recondução de Dilma Rousseff à presidência, já. Após a coleta de assinaturas, a ação será enviada ao Supremo Tribunal Federal.

Visite a página do Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment no face e obtenha mais informações.

Juntos pela Anulação do Impeachment e a volta de Dilma ao poder.

Manifestação em frente ao STF pede anulação do impeachment.

21 junho de 2017 entrará para história.

Neste dia o Supremo Tribunal Federal recebeu a “visita” de manifestantes.  Diferentemente de outros protestos, este não era contra um ministro específico, ou contra uma decisão já tomada pelo supremo. Não, este não foi assim. Este foi grandioso. E grandioso porque os participantes demonstraram determinação e “garra” difícil de se ver.

E por mais estranho e paradoxal que seja, esta manifestação foi justamente para exigir que o tribunal cumprisse com o seu dever constitucional. Que julgasse um mandado de segurança. Não um qualquer. Mas um de extrema importância para o futuro da nação brasileira. Um MS interposto pela defesa de Dilma Rousseff que pede a anulação do “golpe” parlamentar (travestido de impeachment) e sua restituição ao cargo de presidenta.

No final da tarde, aproximadamente 600 pessoas, oriundas de diversas regiões do país, gritaram por justiça. Exigiram a apreciação do mérito do mandado. Clamaram pela anulação do impeachment.

Oradores, se revezando ao microfone, iam expondo os vários motivos que os levaram até ao STF. Lembraram que quem sofre mesmo com o golpe é o povo, com desemprego, com a perda dos direitos trabalhistas, previdenciários e sociais. Que o país está sendo entregue ao rentismo internacional. Que foi uma quadrilha de corruptos que promoveram o golpe. Que o STF não deve se acovardar. Que não se pode jogar no lixo 54,5 milhões de votos.

Um ponto destaco, os manifestantes pediram que a ministra Carmen Lúcia os recebesse, não conseguiram, no entanto um funcionário veio conversar e foi permitida que uma comissão entrasse e protocolasse uma carta aos cuidados da presidente do tribunal. O que foi feito. A carta solicitava que se acelerasse a avaliação do MS. Assinaram o MNAI (Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment) e os comitês de RS (Pelotas e Porto Alegre), SC, SP, RJ, MG, DF, CE, Zurique/Suiça e  PCO (Partido da Causa Operária). Primeira vitória.

Mas o ato em si começou bem antes. Por volta do meio dia teve início o debate sobre as razões de se anular o impeachment e por que a volta da Dilma ao poder é de suma importância para democracia. O mediador foi Antônio Carlos do PCO.

Realço alguns itens do que foi debatido:

Expedito Mendonça, diretor do sindicato dos Servidores Públicos Federal, afirmou que o impeachment é fraudulento, que os trabalhadores estão sendo reprimidos. Pediu ainda solidariedade ao companheiro Othon Pereira Neves, dirigente sindical, preso no dia anterior por chamar funcionários a participar da greve do próximo dia 30.

Edva Aguilar, uma das coordenadoras do MNAI, recordou que precisamos pressionar o STF. Que a Dilma deseja voltar. Que nós não somos um fã clube da presidenta e sim da democracia. Que é mais fácil o STF anular o golpe do que o congresso aprovar as diretas, pois no tribunal precisamos de 6 votos e aprovar a PEC das diretas é necessário a aprovação de 2/3 dos parlamentares, o que é praticamente impossível, pois estamos numa situação de anormalidade institucional.

Erika Kokay, deputada federal (PT), falou sobre a luta de classe, o desmonte das estatais, da perda de direitos, da entrega de nossas riquezas para o sistema financeiro internacional. E afirmou que os movimentos pelas Diretas e Anula o Golpe não são incompatíveis, porque ambos querem o retorno da democracia.

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, enfatizou que vivemos a maior crise do governo golpista. Elementos que articularam o golpe estão envolvidos em corrupções. Destacou que FHC é o chefe maior dos golpistas. O sentido de atos como estes está na luta contra o golpe, na tomada de posição. Não acredita nas eleições diretas sem liquidar com a horda de golpistas. Põe em dúvida, inclusive, as eleições em 2018. Aponta como solução a organização do povo, dos sindicatos, dos movimentos para derrotar o golpe.

Um parênteses. Grupo de empresários, reunidos no Instituto Milleniun, falaram abertamente que as eleições de 2018 será prejudicial aos interesses do país. Recado dado. Cada vez mais as eleições diretas se distanciam da realidade.

Argumentos, conhecimentos, informações foram transmitidos. E mais do que isso, o sentimento de não estar sozinho na luta é revigorante. Saímos dessas manifestações com a alma lavada. Com as funções psíquicas em dia.  Os participantes, presenciais ou não, com certeza sentiram-se representados em algum momento.

Que venham mais atos como este. Que mais pessoas se juntem ao movimento pela anulação. É o caminho correto.

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.” Che Guevara.