Sobre o Lula: E como fica o povo vendo esses ataques que não são motivados por uma exigência de ética, e sim pelo desejo de voltar ao poder?

Do site do Jornal do Brasil

O silêncio

“Depois da longa e abrangente fala do ex-presidente Lula, na quarta-feira (20), ninguém se manifestou contra ele. O que parece é que os ataques não são motivados porque ele merece ser acusado, mas sim para tentar impedir sua possível futura candidatura.

É isso?

Por que não há nenhuma grande liderança falando onde estão os crismes dele? Ou onde estão os crimes do filho? 

Ora, com todo o respeito…

No plano econômico, todos criticavam o governo pelo aumento da taxa de juros. Hoje, criticam porque não houve aumento na taxa de juros. Num primeiro momento, todos os patronos dos que estão contra o poder atacavam o poder porque a taxa de juros subia. Agora, atacam o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, por não ter aumentado a taxa.

Onde está a oposição? É oposição ou segmento raivoso por não estar no poder? 

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No plano político, diziam que todos os delatados deveriam perder o poder e serem presos. E agora que aparecem novos nomes delatados, o que acham? Não defendem mais esta posição?

E, mais uma vez, como fica o povo assistindo a tudo isso?

Quem paga essa campanha contra o Brasil não são os empreiteiros e nem os corruptos. Quem paga é o povo desempregado.

Há um ditado que diz que não existe canto quando não há plateia. Só canta quem sabe que vai ser ouvido. Se achacam é porque foi o achacado que permitiu a existência do corruptor.

O que querem fazer com o país que sinaliza que pode ter 10 milhões de desempregados, fora a massa jovem, menor de 20 anos, que nunca teve emprego?

O que pode acontecer com um país que não tem 40 milhões de habitantes, e sim cinco vezes mais? É importante frisar que os desempregados arrastam com eles de um a quatro dependentes, que representa uma Espanha inteira de pessoas sem perspectivas. 

Por que jogam contra o país? É porque já estão morando no exterior, com o produto do que roubaram do povo sofrido?”

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O Brasil sofre de crise presidencial. Em diversas áreas.

charge-duke-crise-fabricada-pela-midiaO Brasil está em crise presidencial.

A presidenta acuada por uma elite mesquinha, irresponsável e retrógrada. E magoada por ter perdido as últimas eleições. Ficam procurando “pelo em ovo” objetivando, de alguma forma, incriminá-la.

A Dilma lembra em certos aspectos Cristo crucificado, sendo lanceado pelos soldados. Os romanos queriam vê-lo sangrar. Jesus , indefeso nada pode fazer, a não ser aceitar, dentro de sua magnanimidade, a dor imposta. Sentindo líquido escorrer por seu corpo pedia perdão aos seus carrascos. Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem. Afinal, o que importava para o filho de Deus era salvar a humanidade, certo?

E Dilma, mesmo sabendo que a oposição quer vê-la sangrar, se porta republicanamente. Faz parte da democracia, diz e tenta governar. A crise política foi criada artificialmente. É Sustentada pela mídia, pelo “pleiboi” Aécio, o inconformado, e asseclas.

Eduardo Cunha, presidente da câmara dos deputados, indiciado por crime de corrupção. Vê seu prestigio e seu poder ruírem.

Prestes a ser transformado em réu, acusado que é de, segundo Júlio Camargo, exigir 5 milhões de dólares para viabilizar um contrato de navios-sondas junto à Petrobrás. Não renuncia ao cargo nem que a cobra fume. Com seu perfil mafioso lembra Al Capone. O gangster americano mesmo sabendo que os federais estavam prestes a prendê-lo não largou o osso. E deu no que deu: viu todo seu império desmoronar e seus homens presos ou mortos. Não todos, alguns caíram fora antes que o barco afundasse.

Homem evangélico, Cunha já encontrou o seu Pedro, o apóstolo que negou Cristo três vezes. Malafaia postou: que fique bem claro, nunca apoiei Eduardo Cunha…

Renan Calheiros, presidente do senado, encontra-se no purgatório. Nem lá, nem cá. Mas com medo da espada da justiça. “Tô de olho no sinhô”, bordão do saudoso humorista Clayton Silva. Acusado de, entre outras coisas, receber dinheiro desviado da Petrobrás. Tem jogo de cintura, que ser amigo do rei. Porém, até agora, o mais grave é ter aceito propina da construtora Mendes Júnior para pagamento de despesas de uma filha com a jornalista Mônica Veloso. Será inveja de FHC? Esses moços e suas jornalistas maravilhosas…

Vários presidentes de grandes empresas foram presos na operação Lava Jato. Acusados de corrupção ativa, passiva. De pagar propina, pixuleco ou de dar um agrado a políticos e diretores de estatais. AH! Esse maravilhoso mundo empresarial…

Marco Polo del Nero, presidente da CBF. Desde que José Maria Marin foi preso, esse senhor não põem mais os pés fora do Brasil. Não que ele tenha medo, ou deva alguma coisa ou esteja denunciado por falcatruas. Não é nada disso. São apenas coincidências.

Vejamos: quando na Suíça, soube que seu padrinho e grande amigo, carne-e-unha, digamos, estava detido, num quarto de hotel, por policiais ele correu a fazer as malas e embarcou imediatamente pra sua terra natal, pensou : é mais fácil ajudar o Marin daqui do Brasil.

Outra, mandou o presidente da federação cearense representa-lo junto à FIFA porque (que azar!) foi aberta a CPI do futebol, liderado pelo senador Romário, justamente nesse período e evidentemente como presidente da Confederação necessitaria ficar no país.

E agora, não poderá  assistir aos jogos da seleção brasileira nos EUA, porque ele tem uma tia, que tem uma vizinha, que tem uma enteada, que mora no Capão Redondo e faz aniversário de 50 anos no mesmo dia da peleja, e ele foi convidado pra cantar os parabéns. Inclusive já comprou o presente. Fica pra próxima.

Felizmente temos o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski . Ele, por enquanto, passa incólume nessa guerra de bandidos. Que continue assim. E que saiba evitar a queda de um governo democraticamente e honestamente eleito.

Sobre Dilma Rousseff ficar acuada disse Ciro Gomes: “E isso é grave menos pela novela moralista e mais pelo cinismo de um Congresso de ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido”.

E ainda mais, Ciro considera a presidenta “uma exceção, porque é honrada e tem espírito público”. E não é só ele que tem essa opinião, até Fernando Henrique Cardoso, entusiasta do golpe branco, tem a mesma percepção sobre a Dilma Rousseff, ela é honesta.

Então, não vai ter golpe. E podem guardar a viola no saco. O Brasil não voltará a ser uma república de bananas.

A queda-de-braço entre Obama e congresso.

capitolio-estados-unidosQuem diria os EUA estão sem dinheiro.  Parques, museus, monumentos estão fechados.  A enorme máquina administrativa ameaça emperrar. Os astronautas estão perdidos, apenas o essencial funcionara.  E quem decide o que é primordial e estratégico?

Será que a espionagem também foi afetada?  Ou ela faz por si só?

Os nossos articulistas batem palmas: com a falta de dinheiro os norte americanos não tem como honrar suas dívidas. Fornecedores do governo alarmados olham para o congresso e imploram: aprovem logo esse orçamento ou quebraremos, e com nossa quebradeira milhares ficarão desempregados. O consumo, motor da economia, ruirá. A crise de 2008 parecera brincadeira de executivos de Harvard.

O mundo observa os parlamentares. Se nada fizerem entraremos, ou no caso europeu não sairemos da lama econômica, os países refletem.

Aqui no Brasil a mídia dá a notícia em tom de torcida de “quanto pior, melhor”. Como até agora todos os prognósticos, todos, catastrofistas fracassaram e máscaras caíram, agora jogam as fichas nessa queda-de-braço entre republicanos e democratas. Como diria Joelmir Beting estão anunciando mais uma vez o fim do mundo.

Oras! Não há motivos para as outras nações se alarmarem. Os EUA é o berço e fonte do neoliberalismo. O Estado mínimo. Os negócios são feitos diretamente entre empresas, ou entre governo e empresas norte americanas, não é mesmo? Vide o caso da Venezuela. As desavenças entre Maduro, antes Chavez, e Obama não respingam na economia. Nenhuma empresa privada “yankee” deixou de fechar contratos por causa da rixa.

Então, se perda houver será consequentemente mínima. A não ser talvez para os costumeiros especuladores financeiros, que apostam fortunas em letras do tesouro americano. Estes têm razões para preocupações.

Para estes abutres fica uma sugestão: copiem o modelo brasileiro de viver de crises. É fácil utilizar esta artimanha.  Criem um ambiente propício para o pânico, porém para isso vocês terão que ter o controle total da mídia. Por essas bandas isso já é fato. E depois, espalhem boatos de descontrole inflacionário, de sucateamento da indústria, da falta de segurança, de saúde, de educação. E de quebra mostrem a apatia governamental diante deste cenário. Aí, não precisa nem levantar de suas honradas poltronas, é aguardar. O orçamento será aprovado em caráter de urgência urgentíssima.

Antes que digam. Sei que não está funcionando a contento este estratagema, porém a classe média brasileira, se por maldade ou inocência, acredita piamente nestas notícias. É complicado controlar este salseiro. De qualquer forma, vocês americanos têm a maior classe média do mundo. É um bom sinal de que pode dar certo.

E outra coisa, Obama tranquilizou a máquina militar. Para estes, o dinheiro está garantido. Podem continuar tranquilamente a matar. E se precisar abriremos outra frente de batalha. A Síria e o Irão que não se atrevam a pensar que os EUA estão fragilizados. Pra guerra sobra dinheiro.

Sobrou para os outros trabalhadores. Aqueles que tiveram licenças não remuneradas. Ficarão sem receber. Agora, não adianta protestar carregando placas e andando em círculos em frente à Casa Branca. Não é possível que durante estes anos todos não tenham feito uma poupança se quer! É muita displicência dessas pessoas.

Afinal o importante é “o que você pode fazer pelo seu país, e não o que o país pode fazer por você”, segundo JFK.

A Globo e o pensamento neoliberal.

Primeiro foi durante as eleições para presidente dos EUA. Barack Obama versus Mitt Romney. Depois pegaram carona na crise europeia. E agora estão pendurados no problema que Obama enfrenta para conseguir a aprovação dos ajustes fiscais prometidos durante a campanha. Ou seja, aumentar os impostos da parcela mais rica da sociedade.

Caso não seja aprovado este aumento ou solucionado o impasse no congresso será, então, disparado automaticamente um dispositivo que elevará os impostos para todos os cidadãos americanos. Pobres e ricos. Haverá corte de nos programas sociais. Corte nos investimentos. E redução orçamentária nos gastos com a defesa.

Este “gatilho” levará a maior potência mundial à recessão. Novamente. O que seria catastrófico para o mundo, já em crise.

Mas o assunto deste artigo não é propriamente os problemas que o presidente reeleito enfrenta com a oposição republicana. Ou as amarguras do velho continente. E sim a forma como a Globo trata destes assuntos.

Não perdendo a oportunidade, os seus noticiários, de maneira sistemática, citam os motivos que levam os republicanos a serem contra a taxação da parcela mais rica. É uma visão neoliberal. O problema é que só colocam um lado do embate. Não dizem por que os democratas são a favor.

Os seus telejornais procedem como que preparando o terreno para uma batalha que se avizinha aqui no Brasil. Pois, se queremos construir um país justo e verdadeiramente democrático o caminho natural leva também a tomada dessas medidas. Eles sabem disso. Mas não querem isso.

O “Bom dia Brasil” disse: os ricos já contribuem com a sociedade gerando empregos. Não é justo pagar mais impostos. Nós, cidadãos comuns, ficamos apenas com essa informação. Parece um argumento lógico e irrefutável, não é mesmo?  Porém, pergunto: os ricos geram emprego por bondade, por filantropia ou por gentileza? Evidentemente que não. Eles criam empregos porque precisam que alguém trabalhe para eles.

O empregado e o empregador mantém uma relação de reciprocidade. Bijetora. Simbiótica.

Nesta relação o assalariado sempre foi o elo mais fraco dessa sociedade. Qualquer instabilidade econômica a primeira providência que o patrão toma é demitir. Para equalizar. Qualquer avanço tecnológico as primeiras perguntas são: o que ganho com isso e qual a redução de custo que consigo? Ou, quantos trabalhadores podemos dispensar?

Não existe outra ideia, além dessas, porque esta é a lógica capitalista. O empregador não vê outra saída porque o foco não é o ser humano. Não é o social. É o dinheiro. O status quo. Mas não é justo. Os ricos têm a faca e o queijo na mão. Mandam e desmandam. Cabe ao governo frear essa sanha predatória deles.

A elite brasileira está mais para raposa que para leão. O leão caça uma única presa para comer. A raposa, se colocarmos num galinheiro, mata todas as galinhas, não só a que necessita para saciar a fome.

Outra visão neoliberal veiculado pelo noticiário: eles, os republicanos, não gostam de pessoas que se contentam em ser empregado à vida toda. Cuja meta de vida é se aposentar.  E, segundo eles, viverem a custa do estado. Lembram-se das palavras do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamando os aposentados de vagabundos? Pois é, neoliberalismo extremado.

Agora, nem todos tem os mesmo perfil. Ou mesmo objetivo. Ou a mesma sorte. Ou a mesma disposição. Ou a mesma oportunidade. Somos diferentes.

É pecado a pessoa não querer ser empresário? É pecado querer viver de maneira mais simples? É pecado viver com o que tem?

Ou o grande pecado está em reclamar por melhores condições de vida? Se uma pessoa se contenta em ser bancário a vida toda então ela tem que pagar com sofrimento esse contentamento?

Com essa forma de transmitir o noticiário a Globo vai aos poucos moldando mentes e corações. E assim, como na síndrome de Estocolmo em que o sequestrado assuma a lógica do opressor, a elite pretende arregimentar a população para sua causa. A da raposa.

A campanha de ódio contra Lula perpetrada pela mídia.

Temos que concordar num ponto: a chamada grande impressa está trabalhando para desconstruir a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil. De quebra a do PT e consequentemente a de Dilma Rousseff. Constantemente o Lula é ligado a atos de corrupção e a escândalos sexuais.

José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha e outros recentemente condenados pelo STF são grãos de areia na praia. A mídia quer exterminar o comandante mor. O responsável pela ascensão desses “quadrilheiros”.  Ou seja, o Lula. E sem razão, apenas por raiva.

Desconheço outro governante que, após deixar o cargo, teve seu nome tantas vezes vinculado a atos ilícitos.

Para ilustrar melhor o que digo faço uma comparação. A Veja e a Globo noticiaram vários atos de corrupção durante o governo FHC. Após este deixar o cargo pararam imediatamente de ligar seu nome às denúncias.  Não se fala e nem se clama por punição aos bandidos da era Cardoso.

Aliás, a imprensa não só parou de investigar os crimes como também trabalhou para construir uma imagem de perfeição, lisura e “glamour” entorno dele. Uma coca-cola.

Para se ter uma ideia da magnitude do poder que a mídia tem,  caso alguém pergunte: quem foi o responsável pelo fim da inflação e quem é considerado o pai do plano real? Muitos dirão: Fernando Henrique Cardoso.

Poucos se lembrarão de que foi Itamar Franco a principal figura da estabilidade econômica. O presidente do Brasil à época. Mataram, ainda em vida, o político mineiro. Transformaram Itamar num bobalhão.  Numa figura pitoresca e grotesca, covardes que são.  Armaram para ele aparecer no carnaval ao lado de uma garota nua.

E também, só recentemente soubemos da pulada de cerca de FHC com uma repórter da Globo. E do filho gerado dessa relação. Esconderam tudo. Até a jornalista. Exilada na Europa.

Resta alguma dúvida que a mídia assim como pode construir, pode destruir?

Agora, porque a elite e seus asseclas têm tanto rancor do ex-presidente e do PT é que é estranho.

Vejamos. Lula “retirou da pobreza extrema mais de 30 milhões de pessoas, impulsionou o crescimento econômico, ajudando a gerar 14,5 milhões de novos empregos com carteira assinada, criou o maior programa social do planeta, o Bolsa Família, democratizou o acesso ao ensino superior, à casa própria, ao crédito e à energia elétrica. Contrariando nossa triste tradição histórica, tão cara aos cultuadores do ódio a Lula, dessa vez crescemos distribuindo renda e oportunidades”, conforme Lindbergh Farias.

Havia empresas de telecomunicações que estavam na bancarrota. O governo ajudou a reerguê-las. As Organizações Globo, aí mora a sacanagem, são donas de 60% do mercado publicitário. Os banqueiros lucraram muito mais nos últimos dez anos. As grandes indústrias faturaram como nunca. O Brasil, devido à crise de 2008, correu um sério risco de virar uma Grécia. Ele evitou que isto acontecesse.

Seu governo, evidentemente, não acertou em tudo, mas procurou fazer o melhor. Para todos, como dizia o slogan.

A polícia federal ganhou independência. O governo não interfere nas investigações. Aumentou o salário dos agentes.

Lula indicou, entre outros, Joaquim Barbosa para ministro. Ele queria um negro para o cargo. Um negro! Ele quis combater o racismo. E o Brasil é racista. Não o conhecia. Não era seu amigo. Não o indicou pela posição ideológica. Esquerda ou direita. Indicou pela competência. Pra ele tanto faz. Agiu diferente de outro ex-presidentes.

Não quero nem pensar o que falariam e escreveriam se Joaquim Barbosa tivesse a mesma posição de Lewandowisk.

Bem continuemos. Se não é perda econômica ou de status, então o que é que há por traz dessa cólera? Dessa campanha repugnante?

Luiz Inácio Lula da Silva é nordestino. Nasceu em Garanhuns, Pernambuco. Tem o primário completo.  Pobre, migrou para São Paulo. Aqui estudou. Formou-se pelo SENAI como torneiro mecânico. Perdeu o dedo trabalhando. Tornou-se presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC. Liderou uma greve por aumento salarial em 1979. Desafiou a ditadura. Foi preso. Traído pela Federação dos Metalúrgicos de São Paulo. Mesmo assim o movimento saiu vitorioso. Felizmente, não teve o mesmo fim de outro líder, Santos Dias, assassinado pela polícia militar de São Paulo durante um ato de protesto.  Não aceitou a se filiar a nenhum partido. Preferiu criar um. Foi criticado pelo sindicalista polonês Lech Walesa, grande estrela anticomunista, que dizia que sindicalista não deveria se intrometer em política (ele mesmo se tornou presidente da Polônia). Em 1980 fundou o PT. Abrigou, sobe a sigla, diversas correntes políticas de esquerda. Deu voz aos excluídos. Muitos se transformaram em personalidades do primeiro escalão. Saíram da obscuridade.  Foi deputado constituinte mais votado. Perdeu várias eleições. E finalmente chegou a presidência da república. Sendo reeleito. Mora num apartamento simples em São Bernardo.

Resumidamente aí estão quase 40 anos de história.

A elite preconceituosa não suporta nordestino. Exemplo: em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Philips no Brasil, Paulo Zottolo afirmou que, ao apoiar o movimento Cansei, desejava remexer no “marasmo cívico” do Brasil, e afirmou: “Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”.

O movimento “Cansei” foi criado em São Paulo a partir do acidente da TAM. Eles diziam que estavam cansados da incompetência e do caos instalado no governo federal.  Mais tarde se descobriu que foi falha do piloto e da companhia. Perdeu a razão de ser, mas continuou esparramando cretinice. É tão racista e preconceituoso que quase provoca racha dentro da OAB.

A elite elitista não acredita em quem não faz faculdade.  Por mais fraca que seja, não importa. Muitas das atuais grandes empresas  surgiram de quem tinha pouco estudo. Pão de Açúcar. O folclórico presidente do timão, Vicente Mateus, em entrevista disse o seguinte a respeito de seu quase analfabetismo: tem muito engenheiro trabalhando para mim.

A elite acredita que pode comprar todo mundo. Vendendo ilusões. Ou ameaçando a sobrevivência do cidadão.

A elite acha que todo mundo, que não seja da estirpe deles, é incapaz. Na revolta da chibata os marinheiros puseram os navios de guerra em movimento e prontos para batalha, diante do espanto da oficialidade.

A elite tem certeza que só da trupe deles pode sair uma grande líder. Ledo engano.

Lula se encaixa exatamente em todos os itens acima citados de ódio e preconceito e ao mesmo tempo contradiz tudo no que eles acreditam. Elite retrógrada. Saudosa do século XIX.

Lula, antípoda do mal. Ele não é meu amigo. Mas jamais me juntarei ao coro da elite.  E de alguns da esquerda que beberam na fonte. E agora, como homens inocentes, ajudam os ricaços no seu trabalho de destruição.  Agora é fácil bater. Falar do caráter. Que Lula sempre foi ganancioso e etc.

Partidos progressistas vocês irão abandoná-los à sanha dos lobos? Esperam ganhar o quê com essa posição? Benevolência da oligarquia? Poder? Acabar com o imoral? Esqueçam.

O golpe está sendo preparado. Não será pelas armas. Espelhem-se no Paraguai. Foi tranquilito tirar o presidente.

Tirar o mérito de uma pessoa dessa é ser muito bitolado. Um Lula não se encontra na esquina. É uma joia rara. Tem que se preservado. Abaixo este estratagema baixo.O mundo agradece.

Crise espanhola e o suicídio de Amaia Egaña.

A crise econômica na Europa continua a fazer vítimas. Espanha e Portugal estão em recessão.  A Itália anda flertando com essa senhora inescrupulosa.

A população protesta contra as medidas de austeridades adotadas pelo governo. Os “belos” economistas apressam-se em explicar o porquê de tais providências. Ameaçam com o apocalipse, com o fim do mundo caso as dívidas não forem honradas.

Em particular, na Espanha a taxa de desemprego beira os 25%, um quarto da população ativa. É evidente que, com o passar do tempo, os desempregados irão perder a capacidade de pagamento. Aos poucos entrarão para o clube dos inadimplentes.

Os credores, dentro do direito estabelecido pela sociedade, cobram o pagamento. Cobram até o limite do que eles consideram suportáveis. E, finalmente, quando se esgotam todos os meios de negociação, pegam a mercadoria de volta. Prejuízos não podem ter.

A mercadoria é qualquer coisa que possa ser vendida e dela ser tirado o lucro. Pode ser um jogo de panela, um carro, uma moto, uma bicicleta, uma televisão, um sofá, um animal de estimação ou uma casa. Tudo está no mesmo saco.

O capitalismo, como Midas, transforma tudo que toca em mercadoria. Até substantivos abstratos, como o amor, a benevolência, a gentileza. Não há fronteira para suas garras.

É o seu grande erro. Capitalistas, nem tudo é mercadoria.

Para não nos tornarmos reflexivos ou filosóficos demais vamos nos ater ao concreto.

Uma habitação não pode ser considerada como objeto de comércio. E como tal ser tratada. Porque, para quem nela habita paredes e telhados se transformam em lar.

Se a família é considerada o núcleo da sociedade, a casa é o núcleo de uma cidade. Tem primordial função social. O cidadão, nela, cria raízes. Carinho. Para os moradores significa segurança, conforto e tranquilidade. Ele sabe que quando sair terá para onde voltar. É a sua referência. Portanto, não é justo, muito menos prudente, credores simplesmente pega-la de volta. Despejar seus habitantes.

A pessoa perde seu chão. Fica sem eira nem beira. Chegando a medidas extremas. Ao suicídio.

Foi o que fez a espanhola Amaia Egaña, de 53 anos. Na sexta-feira última, diante dos oficiais de justiças que estavam ali para cumprir a ordem de despejo, desesperada pulou do seu apartamento. O suicídio foi o jeito encontrado, por ela, para protestar contra a violência autoritária.

Uma observação. Para Freud não há suicídio sem o desejo reprimido de matar alguém. Quem será que ela gostaria de matar naquele momento?

Bem, este ato teve repercussão por toda a Espanha. Gerando nova onda de manifestações.

E, como num passe de mágica, o governo lembrou que existe um povo espanhol.  Que o sacrifício e compreensão que as autoridades pedem da população, eles não estariam pedindo dos banqueiros e dos investidores.

Num primeiro levantamento foi constatada a existência de 400 mil moradias desabitadas, por ordem judicial. Ou seja, os bancos retomaram 400 mil habitações por falta de pagamento.

Diante deste absurdo o governo negociou uma trégua com os credores. Atitude correta. Pena que para Amaia Egaña esta trégua chegou tarde demais.

Por enquanto, a moderação nos despejos é uma promessa. Portanto, espanhóis, fiquem em alerta máximo. Pois, um dos representantes da tróika anda sobrevoando seu país. Angela Merkel esta semana foi verificar a quantas andam a economia espanhola.

Se acatarem o mesmo modelo econômico imposta aos gregos… Sei não, é melhor começarem a aprender falar a língua dos futuros donos, o alemão.