Lula, vamos à luta! Lidere o país, os golpistas estão exterminando o Brasil.

lula contra o golpe“A necessidade de um líder no qual o país possa acreditar

Jornal do Brasil

O Brasil precisa de um estadista, um líder, um ícone, no qual possa acreditar. Um líder que não tenha, ou não venha a ter, filhos protegidos por empresários. E que não tenha nenhum tipo de negócio pelo qual deva se justificar.

 

Sem esses requisitos, a velha frase de um antigo ministro do Supremo Tribunal Federal talvez volte à tona: “Quem se justifica não se explica, e quem se explica geralmente se atrapalha.”

 

Na quinta-feira passada (13), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou que 22,7 milhões de pessoas em idade produtiva estão sem emprego.

 

Esse impacto pode ser muito maior, já que uma única pessoa – o(a) chefe de família – pode ser a única empregada em uma família com pelo menos três membros. Logo, o desemprego não atinge apenas o desempregado, mas também aqueles que dele dependam.

 

Além disso, há alunos sem escola, hospitais sem remédio, ameaça de greve geral. Diante deste quadro, o que vai acontecer com esse país?

 

É fundamental que, antes que possa explodir um confronto, surja uma personalidade de referência. Pois um confronto sempre tem como consequência a ascensão de um líder sanguinário.

 

O Brasil precisa de um homem egresso da pobreza, que se ergueu sozinho, que seja conhecedor ou respeitador das leis, com atitudes firmes, assinando documentos sobre o Livro da Constituição, para que ela não seja mais desrespeitada.

 

Parece que esse homem existe, só é necessário que seus sentimentos patrióticos o impulsionem para comandar um país desesperadamente em crise e sem uma direção.”

 

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Geraldo Alckmin, no melhor estilo nazista, reprime manifestações contra o golpe.

Perdeu a visão do olho esquerdoParticipei, dia 01/09, da manifestação “Fora Temer” na Paulista. Concentração no vão do Masp.

Cheguei por volta das 18:00. Dei uma geral. Vi poucos manifestantes. Em compensação o aparato repressor era enorme.

Meu deus, eram muitos policiais!

Havia base móvel, comando tático, rocam, choque, GOE, polícia civil, cavalaria, dois caminhões de transporte do Choque e helicópteros. Moto contei umas 30. Policiais uns duzentos.

A maioria usava capacete, escudo, tornozeleira, joelheira, caneleira, cotoveleira, ombreira, cassetete, coturnos e rifles ou espingarda. Estilo “Robocop” ou, se preferirem, “Tropa Estelar”.

Visualmente, essa indumentária toda transforma um nanico num “Superman”.

As motos e a tático ficavam desfilando pela avenida. Pra lá, pra cá.

As vezes estacionavam. E os policiais desciam com armas em punho e gestos intimidadores. A ideia era assustar os suscetíveis à assusto, evidentemente.

Eram tantos que me perguntava se ia haver passeata ou desfile militar.

Próximo das 19 horas a manifestação ganhou corpo.

A maioria dos participantes eram composta por jovens. Entre 16 e 23 anos. Identifiquei algumas bandeiras. UBES, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e do PT. As mulheres eram as mais aguerridas.

19:30 começou o protesto pra valer.

Gritavam “Fora Temer”, “Fora Golpistas” e “Fora Rede Globo”.

Pediam o fim da polícia militar e eleições diretas. E cantavam. E nesse vai-e-vem de indignação o número de participantes foi aumentando, aumentando, até que, pelas minhas contas, chegamos a 1000 pessoas.

A polícia “intergaláctica” interrompeu o transito na Paulista. Tomada imediatamente pelos integrantes do movimento.

Os líderes negociaram com a PM o trajeto. Não consegui ouvir o que combinavam.

Enquanto conversavam, parte da tropa fez linha e bloqueou a avenida num sentido. Ou seja, proibiram o acesso dos manifestantes ao prédio da FIESP, Federação da Indústrias de São Paulo participantes do golpe de estado.

20:00, a passeata teve início.

Gritávamos “Fora Temer golpista”. “Fora Cunha”. “Fim da PM”. “O povo não é bobo, fora rede Globo” entre outras coisas.

Em certo momento a passeata homenageou a Débora, a garota que perdeu a visão esquerda atingida por bala de borracha disparada por algum policial. Emocionou.

Durante o trajeto fomos acompanhados pela PM. Do nosso lado direito PMs em fila e a pé, do outro, carros da tático. Atrás, o choque, mais carros e por fim motos.

Quando parávamos imediatamente dos carros desciam os policiais com armas em punho. Era clara a intenção de causar apreensão.

Chegando na esquina da Paulista com a Consolação outro bloqueio policial. Não entendi nada.

Os líderes pediram que sentássemos. Assim foi feito. Usando de jogral passavam as informações.

Ali era o fim da passeata.

O quê? Será que tinha ouvido bem? Fim da passeata?!

Não! Só podia ser brincadeira! Não tínhamos andado nem 400 metros!

Caramba! Esse protesto entraria para o livro dos recordes como a menor passeata do mundo! Pensei com meus botões.

Mas assim estava combinado com o PM.

No entanto, após deliberações surgiram outras propostas.

Dispersar? Não!

Ir em direção à FIESP? A repressão não deixaria.

Ir até o MASP e dispersar? Não! Ridículo.

Ir fazer escracho na Abril? Boa ideia!

Ir à sede do PMDB? Ovação! Gritos!

Beleza decidido! PMDB!

Só faltava combinar com os representantes da futura ditadura.

Quando nos levantamos percebemos que estávamos totalmente cercados pela polícia.

Todas as ruas bloqueadas. Não podíamos ir pra frente. Nem pra trás. Nem para os lados.

Presos! Irremediavelmente presos!

Pô! O que a PM queria com essa atitude? Que passássemos a morar na Paulista?

Que estupidez!

Imobilizados, só nos restava esperar os resultados das negociações.

De repente, correria! Princípio de tumulto! Gente caindo!

Olhei em volta e não percebi nenhuma movimentação por parte dos selvagens cães de guerra. Então o porquê desse corre-corre.

Vai ver que algum dos militares fez uma brincadeira inocente. Como, por exemplo, ameaçar disparar com arma não letal.

Bem, histeria controlada os líderes voltaram a confabular com o major.

Conversa vai, conversa vem, fomos instruídos a se dirigir a uma das ruas laterais. Ali estava liberado.

Ledo engano. Após alguns passos os que estavam na frente começaram a voltar. A polícia fechou este caminho também.

O major e seu segurança foram até onde estava o bloqueio. Conversou com um dos oficiais. E acabou voltando também.

Aparentemente o major só cantava de galo. Que comandava mesmo não estava ali e sim no helicóptero.

Não é por ser descendente de japonês, mas o major lembrava em postura e em vestimenta um samurai.

Bom, entendi porque o pessoal do PSDB acha que somos ratos. Estávamos numa imensa ratoeira. Tratados como ratos. Assim os golpistas nos enxergam.

Após 50 minutos, quase terminando minha carta de testamento, liberaram para que descêssemos pela consolação em direção República. Ainda bem!

Não acompanhei esse trajeto, estava muito cansado.

Parado, fiquei olhando a passeata se distanciar levando consigo o aparato repressor.

A melhor imagem que vem à minha cabeça quando relembro este último instante é a manada de bisões sendo seguida por uma matilha de lobos, pronto para, atiçar e atacar a qualquer vacilo.

Senti, naquele momento, que não havia ninguém para protege-los. Ninguém. Os jovens estavam entregues a sanha assassina dos golpistas. Não havia políticos, procuradores ou qualquer outra autoridade que pudesse interceder por eles.

Mais tarde soube, graças a mídia Ninja, que a passeata pacífica, no seu final, foi tumultuada por quem estava ali para garantir o direito à manifestação, ou seja, pela Polícia Militar.

Geraldo Alckmin, o governador, é culpado pela truculência da polícia.

É culpado porque toma atitudes fascistas.

Onde se viu! Se fosse os coxinhas as atitudes seriam totalmente diferentes. Tiravam fotos. Liberavam catracas do Metro, como foi feito em manifestações a favor do golpe.

O governador de São Paulo é lobo na pele de ovelha.

Os descalabros que comete transforma a instituição policial numa SS. Hitler ficaria orgulhoso do filhote.

Geraldo é do PSDB e os tucanos são os protegidos da Globo. Nada de corrupto que fazem tem a dimensão reduzida.

Globo e democracia, só uma sobrevive. E não pode, não deve ser essa emissora de sacripantas.

A Débora perdeu um olho no dia 31/08. Dia 01/09 foi um jornalista que perdeu os dentes e teve o lábio partido por bala de borracha. Coincidência? Óbvio que não!

A PM quando atira mira na cabeça. A ordem deve ser atirar para ferir gravemente ou matar. Pelo medo também se governa, acha o flibusteiro.

Mas quem semeia violência, colhe violência.

Tempos difíceis.

O ódio está solto.

Ganância de poucos levou o país a um estado de pré-guerra civil.

Mas se enganam quem acha que esse tipo de coisa irá nos intimidar. Não vamos voltar para a senzala.

Somos cidadãos, não servos!

A luta continua! Sem volta! Sem arrego!

E ratos são os conservadores, os fascistas, a imprensa hegemônica e os golpistas. E quem mais que acha que essa cambada está certa.

Os golpistas de 1964 e os 21 anos do nada.

mortos e desaparecidos“Matem os terroristas, matem os carteiros que entregam as cartas. [Matem] os familiares, os amigos, seja o que for. Só não quero que morra nenhum de vocês”.Palavras do general Humberto de Souza Mello, dando ordem para executar os guerrilheiros.

Pré-golpe de 64 : O Brasil estava um caos, hiperinflação, desemprego, greves, instituições ameaçadas, insegurança, saúde precária, milhões sem acesso à educação.

E, males dos males, para fanáticos alucinados: a ameaça comunista pairava no ar. Elites assustadas pediam, pediam não, imploravam pela intervenção do exército.

Mas para tal intervenção eles precisavam, infelizmente, do apoio do povo, ou a “Geni”, de Chico Buarque. “Você pode nos salvar/Você vai nos redimir/Você dá pra qualquer um/Bendita Geni!”.

Mas o povo relutava. O IBOPE escondia pesquisas de aprovação ao governo João Goulart. Inclusive de boa parte do empresariado.

Então a população apoiava o presidente? “Ao ouvir tal heresia/ A cidade em romaria/ Foi beijar a sua mão/ O prefeito de joelhos/ O bispo de olhos vermelhos/ E o banqueiro com um milhão”.

A igreja se levantou, marcharam com a Família e com Deus. Os cristãos choravam. Beijaram as mãos, não do povo, mas dos generais. E compraram o apoio de outro, o general Kruel, com um milhão de dólares.

A mídia agiu. Jamais ficariam fora da luta por uma boa democracia. A deles, é óbvio.

E tome notícias e manchetes catastróficas em cima da população. Amaciando a carne, bons açougueiros que são.

“Querem implantar o comunismo. Transformar em uma nova Cuba. Em uma nova China. Bando de ateus, sem vergonha.”.

E o Tio Sam olhando, comprando, tramando, urdindo, defecando em cima do Brasil. “Outro Fidel Castro no meu quintal não! E aí seus bundões, não vão fazer nada? Já enviei uma frota. Ela está pronta para intervir”, insinuava o Yankee, que mais tarde morreria assassinado.

Tudo preparado. População no bolso. Militares comprados. Políticos conservadores abestalhados. Só faltava um “gran finale”: o boato sensacionalista. O Jango vai dar um golpe.  Esse traidor, facínora, fraco e comunista-trotiskista-maoista-leninista-cubanista-linglingnista.

“Pedro, o Brasil brevemente se separará de Portugal: se assim for, põe a coroa sobre tua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela”.

Lembrou-se um sábio general de tão sábias palavras ditas por D. João VI.

Deram um golpe antes que eles dessem um golpe. Mesmo que não houvesse nem sombra de golpe por parte do governo. Mas isso era o de menos. Quem faz uma, faz duas.

E os civis golpistas, como abutres em cima de carcaça, se assanharam para tomar o poder:

– É meu.

– Não! é meu, dizia outro.

– Quem manda nessa joça sou eu. Então, é meu! Berrava histericamente um terceiro.

Calma! Gritou um imperial general. Já que vocês vão continuar brigando… não é de ninguém. E tomou o poder para si.

Golpe concluído. O Brasil nos eixos. Fim da ameaça comunista-trotiskista-maoista-leninista-cubanista-linglingnista.

“Boa pessoal! É assim que papai gosta”, mandou em telegrama “top-secret” o presidente da nação “Freedom”, Lyndon Johnson. O outro já havia sido assassinado com dois tecos na cabeça. Não soube do sucesso retumbante de sua tramoia.

Aí o estafeta do sub-chefe, do sub-departamento, da subseção de informações lembrou: E o povo, ou a Geni?

Reuniões após reuniões, bradou um militar, contemplando 5 séculos de história: “Joga pedra na Geni!/ Joga bosta na Geni!/ Ela é feita pra apanhar!/ Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”.

E bate. E prende. E cassa. E tortura. E some. E mata. E cala. E arrocha.

Mas teve coisa boa. No julgo deles.

O milagre econômico, de Pirro. A musiquinha: “Este é um país que vai pra frente…”. O Sugismundo. O adesivo “Brasil, Ame-o ou deixe-o”. Copa de 70. A Ponte Rio-Niteroi. A 1/10 da Transamazônica. Usina Nuclear. A Auto-Latina.

O crescimento vertiginoso de empresas que apoiaram os golpistas. Exemplos clássicos são as Organizações Globo. A Folha de S. Paulo. O Estado de S. Paulo. Banco Nacional. “Orgulho e Glória de Atenas”, do Brasil, no caso.

Bem, 21 anos depois os militares cansaram da brincadeira de governar. Agora o país é de vocês novamente. Tá uma belezura. Podem entrar.

E entregaram a casa do jeito que o diabo gosta.

Desemprego, insegurança, hiperinflação, miséria, pobreza extrema, greves, saúde precária, milhões sem acesso à educação.

“Era uma casa/Muito engraçada/Não tinha teto/Não tinha nada…”.

Um país sem rumo. Derrotado pelo medo. Atrasado. Dominado.

Tivemos que reaprender o que é democracia. A votar. A falar. A discutir. A não olhar pro chão. A ter dignidade.

E, como torturadores que depois de uma sessão de tortura fala ao torturado: Valeu! Desculpe qualquer coisa! Sabe como é que é: ossos do ofício. Não foi nada pessoal, os corajosos generais-presidentes se autoanistiaram. Eu me perdoo.

E vestiram o pijama. E dormiram tranquilamente. E apagaram a história. E roubaram a juventude de milhões. E viram seus filhos crescerem, os netinhos também. Os pimpolhos. Boa noite meu Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro.

E dormiram abraçados aos ursinhos.

Posso apagar a luz papai? Pergunta o trainee de neofascista ao feliz golpista.

Luiza Erundina e o debate na FESPSP, no final um comício.

Luiza ErundinaDebate “50 anos do golpe: Nunca mais”. Com Luiza Erundina e Frei Beto, FESPSP, Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014, 19:30.

Golpe de 64 completará exatos 50 anos no dia 31 de março.

Frei Beto – adepto da Teologia da Libertação, é militante de movimentos pastorais e sociais, tendo ocupado a função de assessor especial do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2004. Foi coordenador de Mobilização Social do programa Fome Zero.

Esteve preso por duas vezes sob a ditadura militar: em 1964, por 15 dias; e entre 1969-1973. Após cumprir quatro anos de prisão, teve sua sentença reduzida pelo STF para dois anos. Sua experiência na prisão está relatada nos livros “Cartas da Prisão” (Agir), “Dário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco) e Batismo de Sangue (Rocco). Premiado com o Jabuti de 1983, traduzido na França e na Itália, Batismo de Sangue descreve os bastidores do regime militar, a participação dos frades dominicanos na resistência à ditadura, a morte de Carlos Marighella e as torturas sofridas por Frei Tito. Baseado no livro, o diretor mineiro Helvécio Ratton produziu o filme Batismo de Sangue, lançado em 2007.

Luiza Erundina é assistente social e política brasileira. Atualmente Erundina exerce o cargo de Deputada Federal pelo estado de São Paulo, pertencendo à bancada do PSB. Ganhou notoriedade nacional quando foi eleita a primeira prefeita e representando um partido de esquerda, o PT, em São Paulo, em 1988. Fonte Wikipedia.

Pelo histórico dos dois principais debatedores o evento tinha tudo para ser um grande evento.

Mas não foi bem assim.

Primeiro, Frei Beto não pode comparecer,  por motivo de falecimento na família. Mau prenúncio.

Segundo, o que deveria ser um debate sobre a comissão da verdade, sobre os crimes de assassinato e torturas cometidos pela ditadura. E como estão os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e as outras  espalhadas pelo país  descambou para um comício político eleitoreiro. Infelizmente.

Começou bem:  Dyego Oliveira expôs sobre os trabalhos da comissão da verdade da faculdade.  A colaboração  da faculdade com os golpistas.  

Por exemplo: em 1983 o MEC destinava verba para a FESP e esta remetia o valor para os Contra da Nicarágua. Grupo da extrema direita.  É grave.  

O capitão do exército americano Charles Landler era estudante de graduação quando foi assassinado em 12 de outubro de 1968. Formado em West Point ganhou bolsa para estudar no Brasil sociologia.  Mas segundo os guerrilheiros este moço era agente da CIA. E treinava agentes do governo nas técnicas de tortura. Enfia mais aqui, mais ali. Puxe a unha devagar. Amassar testículos só no último caso e etc.

O Grupo de trabalho do centro acadêmico merece louvor.   Este GT ajuda a entender melhor o que foi a ditadura e como é triste viver sob o julgo de uma.

A falta de conhecimento leva pessoas a acreditar que Ernesto Geisel era o bom velhinho democrata. Que a ditadura não era dura, era branda, a ditabranda. Que a lei da anistia é legal. Que remover o passado não leva a nada, e etc.

Bem, quando chegou o momento da Erundina falar foi uma ducha de água-fria. Uma decepção. Dela se esperava mais.

Rapidamente contou sua biografia e superficialmente disse algo sobre a ditadura e sobre os andamentos das comissões.

No entanto não perdeu a oportunidade de achincalhar o governo do PT. Falou o que o público esperava ouvir.

A ex-prefeita  demonstrou estar com  o discurso sincronizado com a Marina, com Eduardo Campos, colega de partido, com os colunistas da Globo, com o DEM e com os demais conservadores que esperam se apoderar do poder de qualquer maneira, se não for pelo voto que seja pelo golpe. E eles veem nos protestos o plano “B” para derrotar a Dilma.

Por duas vezes, veladamente, solicitou aos jovens que não parassem com suas manifestações.  E não dessem ouvidos aos que os chamam de baderneiros.  

Foi de extrema covardia esse comportamento da deputada, pois ao mesmo tempo que elogiava os estudantes, dizendo-os politizados, conscientes, cheios de energia inclusive  fazendo piadinha com a noite quente de sexta e o chopp,  manobrava-os para realizar a tarefa que compete a eles, políticos, vivendo numa democracia. Ou seja, derrotar seus adversários com propostas, com competência. E nunca com ameaças. Criando o medo, o caos.

Aliás, esses foram um dos motivos alegado pelos golpistas de 64. Os conservadores da época, apoiados pela mídia, criaram o clima de terror para conquistar apoio popular.  O país estaria uma baderna. Sem comando. Sem rumo. O Padre norte americano Patrick Peyton organiza a “Marcha da Família com Deus pela liberdade”. E deu no que deu. 21 anos de obscurantismo.

Voltando. O Lula reconheceu o erro do PT em se afastar dos movimentos sociais. Erro corrigido por Dilma.

Nunca chamaram os manifestantes de baderneiros, arruaceiros ou que quer que seja. Quem assim os dominou foi a mídia. A mesma mídia não citada uma vez se quer pela nobre deputada e  que neste exato momento manipula as manifestações a fim de chantagear o governo  com esse negócio de não vai ter  Copa do Mundo.

E mais, lembrem-se:  as forças armadas brasileiras não mudaram um dedo no seu pensamento e cultura. Os generais atuais tem a mesma formação de 50 anos atrás. São conservadores ao extremo. Para apoiar um golpe é um tiro.

Outra. Um aluno falou que não achava esse governo popular porque a ALCA… Esta proposta de associação foi engavetada em 2005.

Erundina concordou: não era popular porque amansou os sindicatos, uniu-se ao que há de pior: Sarney, Renan.

Ora, o discurso do amansar sindicalismo é da direita, que vê o aparelho sindical tomar conta do governo. E mais, se os sindicalistas não reclamam com tanta veemência de 40 anos atrás é porque a política de “arrocho salarial” e o desemprego perderam força (os mais antigos hão de se lembrar da nefasta  palavra arrocho). E há canais de diálogo abertos.  O Brasil está em pleno atividade, então as centrais sindicais têm que se reinventar. Se adaptar as novos exigências dos trabalhadores. Querer mais é um dever da sociedade.

E o que dizer dos programas sociais “Minha Casa, Minha Vida”, “Mais Médicos”, “Bolsa Família”, “Brasil sem miséria”, ENEN, ProUni, SISU, mais faculdades federais não dizem absolutamente nada para ela? Então, por causa de dois elementos citados aleatoriamente este governo não é popular? É difícil.

E mafioso por mafioso Jorge Bornhausen e Agripino Maia estão chamando Luiza Erundina de companheira.

E, se no Brasil não há partido, segundo  a ex-prefeita, ela  está filiada ao quê? A uma ONG?

O fascismo também afirma que o Brasil não tem  partido.  Esta foi a retórica dos manifestantes “sem partido, sem partido”.  Disse o que a plateia desejava, mais uma vez.

Lembrou que o Collor é aliado do governo  e que foi expulso do poder por corrupção. Nunca o PT poderia concordar com essa aliança.

Mas não disse que em 1993 aceitou sem pestanejar o cargo de ministra-chefe da Secretaria da Administração Federal de Itamar Franco, vice-presidente de Collor. O PT havia proibido que ela assumisse. Se desfiliou. E o PT nessa época era o PT autêntico, com posição a esquerda. O que deixou saudades.

Se o PSB, PSOL, PSTU pensam que chegam ao poder apoiando a estratégia dos conservadores estão redondamente enganados.

Carlos Lacerda, UDN, direitista  apoio o golpe de 64 crente que iria assumir a presidência e… o resto sabemos como terminou.

Um exemplo mais recente de falta de visão e ingenuidade das esquerdas é o Paraguai e seu golpe bem burlesco.

Finalizando. Durante o debate Luiza Erundina foi muito aplaudida por uma plateia que escutou o que queria escutar.

Uma resposta a operação CONDOR, dos áureos tempos da ditadura.

operacao_condorUm importante passo para a reconstrução do período ditatorial brasileiro e suas múltiplas facetas.

A Argentina, Uruguai  estão colocando os pingo-no-is.

Enquanto na nossa pátria o obscurantismo  prevalece. Pessoas acreditam que Médici, Geisel  e Figueiredo foram democráticos.  Geisel o bom velhinho.

Só resgatando a verdade e punindo esses usurpadores e criminosos poderemos forma um pátria livre e estável.

Com a assinatura do memorando de compartilhamento de documentos sobre violações do direitos humanos entre esses países um passo importante de restauração das verdades será dado.

Uma resposta a operação CONDOR.

Abaixo reproduzo o texto do portal “brasil.gov.br” sobre essa bem-vinda cooperação.

“O Brasil assinou na última quarta-feira (29) acordo com Uruguai e Argentina que permite compartilhar documentos sobre as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar nos três países.  Assinado em Havana, Cuba, durante a 2ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o memorando de entendimento prevê que as nações desenvolvam a cooperação e o intercâmbio de informações sobre o assunto.

A partir de agora, o Brasil poderá solicitar a um dos dois países, ou vice-versa, arquivos que por acaso tenham sido conservados sobre o assunto. A ditadura militar governou o Brasil entre 1964 e 1985. As Forças Armadas argentinas comandaram o país vizinho de 1976 a 1983 e a sociedade uruguaia passou pelo regime militar de 1973 a 1985.

O objetivo é contribuir para o processo de reconstrução histórica da memória, verdade e justiça. Segundo o Itamaraty, o acordo deverá auxiliar as atividades da Comissão Nacional da Verdade, que apura os crimes cometidos durante a ditadura brasileira.

Os tratados são de ordem bilateral. Deste modo, o Brasil assinou um acordo com Argentina e outro, idêntico, com Uruguai. Os memorandos tratam que os países vão colaborar mutuamente com a investigação das “violações de direitos humanos no passado recente” e com o esclarecimento de casos de “desaparecimento forçado de pessoas e outras graves violações”.

O texto dos tratados informa que a medida visa a “criar um marco” para o intercâmbio de pesquisas e investigações sobre as “ditaduras que assolaram ambos os países no passado recente”.

“As autoridades competentes comprometem-se pelo presente memorando de entendimento a realizar todas as ações possíveis com vistas a prover informação útil para o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, por intermédio das vias administrativas, judiciais e/ou legislativas disponíveis”, diz.

As solicitações de documentos e dados que puderem ser feitas por meio de convênios já assinados entre os países, com a devida assistência penal, não serão objeto do novo acordo.

O Itamaraty informou que o governo brasileiro considera o acordo um avanço fundamental para a “elucidação de períodos históricos recentes desses três países”. Ainda segundo o ministério das Relações Exteriores, o esclarecimento dos fatos vai contribuir “decisivamente para o fortalecimento da democracia””.

Pelo bem da democracia, que a verdade seja restaurada.

E se o Palácio do Planalto fosse uma mãe à espera do filho…

goulart e expresidentesE se o Palácio do Planalto fosse uma mãe à espera do filho…

Ela limparia toda a casa. Arrumaria o quarto do filho. Prepararia a comida que ele mais gostasse. Arrumar-se-ia toda. À espera do filho.

Falaria orgulhosa a toda vizinhança: o filho que há muito tempo se foi, vai voltar. Estaria louca de vontade de beijar e abraçar. O sufocaria de amor.  

Contaria, angustiada, os dias, as horas e minutos que faltassem para o grande momento. O reencontro com o filho.

Ansiosa aguardaria na entrada da casa. Ela e todos mais que dele gostassem. Ou se lembrassem. O coração materno estaria a ponto de arrebentar de saudades.

De repente um carro para em frente. Descem vários soldados. Abrem a porta e começam a tirar um caixão. Ela não compreende e continua a aguardar que seu filho desça também e corra ao seu encontro.

Onde está seu filho que não sai do carro? Todos já saíram. Cadê ele? Maroto! Deve estar se escondendo, como fazia quando era criança. Sempre querendo surpreender, só pode ser.

Os militares põem o caixão no ombro e caminham na sua direção. Ela presta atenção. Olhando fixamente para as pessoas. Talvez um deles seja seu filho.

Eles passam e entram na sala. Ela estranha, nem pedem licença. Onde esta minha criança? Um oficial se aproxima. Bate continência. E lhe estende solenemente uma bandeira. Ela pega, agradece. E continua a procurar o filho.

Uma das pessoas começa então a falar. E a mãe continua a procurar o seu garoto. Sem prestar muita atenção, ouve palavras soltas: injustiça, golpe, democracia interrompida, assassinato, golpe… Aos pouco vai montando o quebra-cabeça.

Interrompendo o discurso pergunta: onde está meu filho? O que aconteceu com ele?

O oficial lhe diz: está aqui, nesta bandeira. Sem querer crer, responde: não! Eu lhes dei meu filho vivo.  E vocês me devolvem um pedaço de pano. Não! Eu quero meu filho. Os militares o levaram vivo. E os militares me devolvem num caixão? Eu quero meu filho de volta… Diria o Palácio do Planalto se fosse uma mãe a espera do filho.

João Goulart foi deposto no golpe de 1964.

Golpe urdido por uma elite retrógrada, por políticos oportunistas, pelos Estados Unidos da América, pela igreja, pelos militares e pela imprensa conservadora.  Fugiu para o Uruguai e depois Argentina. Faleceu em 6 de dezembro de 1976. Oficialmente, ataque do coração. A averiguar, assassinado por envenenamento. O Corpo será exumado.

Tal como acontece hoje, a mídia controlou a população naquela época, manipulando informações, com factoides, distorções, meias verdades e puras mentiras.

Passaram a imagem de um presidente bobo, covarde, fraco e mulherengo. Corrupto, comunista, comedor de criancinhas e tudo mais. E sem apoio da população.

Enquetes levadas às ruas entre os dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos que bradavam em sua defesa, mostram que:

a) 69% dos entrevistados avaliavam o governo Jango como ótimo (15%), bom (30%) e regular (24%).

b) Apenas 15% o consideravam ruim ou péssimo, fazendo eco dos jornais.

c) 49,8% cogitavam votar em Jango, caso ele se candidatasse à reeleição, em 1965 (seu mandato expirava em janeiro de 1966); 41,8% rejeitavam essa opção.

d) 59% apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente na famosa sexta-feira, 13 de março  (em um comício que reuniu 150 mil pessoas na Central do Brasil  –o país tinha então 72 milhões de habitantes, Jango assinaria decretos que expropriavam as terras às margens das rodovias para fins de reforma agrária, bem como nacionalizavam  refinarias de petróleo)”. Revista Carta Maior.

Os meios de comunicação mais o IBOPE mentiram e esconderam a verdade sobre a popularidade de Goulart e de suas reformas. Respaldaram o golpe, logicamente.

A população brasileira tem o direito de saber a verdade sobre a ditadura militar, sobre as torturas. Quem são os torturadores, seus mandantes. Onde estão os corpos dos assassinados pelo regime. Quem apoiou. Qual foi o papel da imprensa na preparação do golpe e qual a sua efetiva participação.

E por que a imprensa em especial? Porque ela não aprendeu nada com a redemocratização do país. Não contribui, pelo contrário: solapa as frágeis bases democráticas.

Utilizam os mesmo mecanismos de difamação que induziram ao suicídio de Getúlio Vargas, a deposição de João Goulart e a derrota de Lula para Fernando Collor e a má fama de Itamar Franco.  Por outro lado, engrandecem personagens que comem em suas mãos, tipo Fernando Henrique Cardoso. E mais recentemente Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Ayres Brito.

Com todo este poder e monopólio de que dispõem os donos da mídia eles continuam brincando de deus. Pararam no tempo, e por isso mesmo espera que todos parem.

Esse passado sombrio, os anos de chumbo, devem ser estudados e discutidos nas salas de aula, para que não se repita nunca mais. Não podemos viver eternamente na desconfiança. Na dúvida. Olhando para o lado.

E mais: os meios de telecomunicações precisam urgentemente de leis de regulamentações. Conectadas à nova realidade. Ou então eles imporão a realidade deles.

Ditadura militar: dar nome aos bois é preciso.

InfiltradosPara quem deseja conhecer um pouco mais sobre a atuação dos agentes da repressão durante os anos de chumbo, fica a dica deste livro:  “OS INFILTRADOS – ELES ERAM OS OLHOS E OS OUVIDOS DA DITADURA”,  de Carlos Etchichury, Carlos Wagner, Humberto Trezzi e Nilson Mariano.

Já que não podemos processá-los e condená-los, torná-los conhecidos é outra forma de mostrar nossa indignação, não é mesmo?

Reproduzo o artigo de Chico Motta, da Revista Vírus Planetário, sobre um desses infiltrados. E, por um desses acasos da vida, também secretário da segurança do Rio de Janeiro.

“O secretário de segurança pública do RJ, José Mariano Beltrame, era agente infiltrado no Movimento Estudantil do Rio Grande do Sul durante a Ditadura Militar, segundo o agente Telmo Fontoura.

Durante os últimos protestos no Rio de Janeiro, se espalham as denúncias de policiais infiltrados, plantando provas para incriminar estudantes e promovendo o terror em carros sem identificação. A situação lembra episódios da Ditadura Militar onde agentes infiltrados eram usados para causar tumulto e colher informações dos estudantes que se organizavam. A relação pode parecer forçada para alguns, mas ao que indica o livro-reportagem “Os Infiltrados”, Editora AGE, Porto Alegre, 2011, talvez não se trate de mera coincidência.

De acordo com relatos extraídos durante a produção do livro, o secretário de segurança do Governo Sérgio Cabral, José Mariano Beltrame, teria atuado como agente infiltrado no movimento estudantil em Porto Alegre.

“Gaúcho de Santa Maria, Beltrame, jovem agente em início de carreira no começo dos anos 80, acompanhou Telmo (Telmo Fontoura, o chinês, agente infiltrado no movimento sindical e estudantil gaúcho nos anos 80.) numa assembleia estudantil em que a presença dos policiais foi denunciada por participantes não alinhados com a direção da Umespa (União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre). Quando alguém anunciou ao microfone que havia policiais monitorando o encontro, vários jovens deixaram às pressas a reunião. Eram agentes: – O pessoal do DOI-Codi e da Dops da Polícia Civil também estava lá. Quando anunciaram que tinham policiais lá, todos correram, inclusive eu e o Beltrame (José Mariano Beltrame) – descreve Telmo, sem conter o sorriso.” relata o livro de Carlos Wagner, Carlos Etchichury e Humberto Trezzi.

Em relato, a esposa de Telmo Fontoura, Magda Ribeiro Tavares, também confirma a presença de Beltrame como agente infiltrado. Magda informa que não desconfiou quando conheceu o marido e o Beltrame pois estavam na porta da escola, ela acreditava que eram estudantes normais, “Ele (Beltrame) era novinho, ele estava entrando. Era o primeiro dia de serviço dele”, informou.

Procurado pela produção do Livro em janeiro de 2010, a assessoria do Secretário da Segurança do Rio de Janeiro enviou mensagem no dia 28 daquele mês, negando que o Secretário tenha atuado como agente infiltrado, mas confirmando a presença na reunião citada por Telmo: “Ele (Beltrame) ingressou na Polícia Federal em 1981, como agente. Ele (Beltrame) nunca atuou como agente infiltrado no movimento estudantil. O fato citado ocorreu uma única vez. Houve uma reunião na Umespa na qual ele (Beltrame) acompanhou Telmo, mas não como agente infiltrado.” No entanto a assessoria não informou o que Beltrame, agente da Polícia Federal, fazia numa assembleia de estudantes secundaristas.