Mais uma tragédia no Brasil, agora em Santa Maria, RS.

incendio kissMais uma tragédia.  Dessa vez em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Muita indignação. Desespero. Tristeza.  Perplexidade.  Vozes embargadas. Autoridades emocionadas.

Este foi o terceiro incêndio em números de mortes do mundo. Boston e China estão na frente.

E daí? Pra que saber dessa lúgubre colocação? Nos ajuda em quê? Precisamos sim é saber quem falhou. Dar nomes-aos-bois. Punir. Mudar legislação e normas. É o correto e justo a fazer. Aprender com os erros.

Será que algo mudará a partir dessa desgraça?

Infelizmente, no Brasil já presenciamos outros eventos catastrófico, ligados ao lazer. E pouco mudou desde então.

O incêndio do gran-circo norte americano. Ocorrido em 17 de dezembro de 1961. Em Niterói, RJ. Oficialmente morreram 503 pessoas. A grande maioria crianças.

Como agora, houve mobilização nacional. Autoridades esbravejaram.  Exigiram mudanças nas leis. Punições severas aos culpados. E etc. E, semelhante à casa-noturna, havia superlotação. O livro “O Espetáculo mais Triste da Terra”, de Mauro Ventura, descreve os acontecimentos daquele fatídico dia. Leiam e verão quanto semelhança.

E o que dizer do naufrágio do Bateau Mouche, em 31 de dezembro de 1988 no Rio de Janeiro. Morreram 55 pessoas, de um total de 142 pessoas. Havia também superlotação. E o comportamento e indignação foram parecidos com o que presenciamos em Santa Maria.

Somados essas três calamidades chegamos ao incrível número de 789 vítimas.

Vítimas da ganância. Do despreparo. Da arrogância. Da corrupção. Do pouco caso. Da incompetência. Da falta de fiscalização. De leis. De normas. De respeito.

O Brasil no quesito vítimas de incêndio está em primeiro lugar. Significa, então, que nada foi feito para evitar essas tragédias.

O tempo, dizem, tudo cura. As autoridades de Santa Maria sabem bem do dito popular e procuram utilizar desse subterfúgio para fugir de responsabilidades. Percebam.

O prefeito da cidade, Cezar Schirmer (PMDB), reeleito para o cargo, disse em entrevista que a boate “tinha todos os documentos e registros que a prefeitura exige para o funcionamento” e que “Por mais que exista regularidade e que todos os documentos estejam em dia, às vezes, existem circunstâncias que causam a tragédia. Houve problemas na saída e mais de 90% das vítimas morreu por asfixia. Talvez se o incêndio fosse grande, as pessoas teriam percebido rapidamente”. E que faltava apenas o atestado do corpo de bombeiros para liberar o alvará. E os bombeiros afirmaram que a casa estava toda regular. Sobre o extintor que falhou o comandante da corporação disse que no dia da vistoria eles funcionaram.

Não sei como classificar o prefeito. Ou esse senhor sofre de idiotia, ou é um covarde, ou um irresponsável ou não tem a mínima competência para exercer o cargo para o qual foi eleito.

Creio que o alcaide possui todos esses predicados, pois, como se não bastasse, afirmou que a prefeitura disponibilizou carros para as pessoas que chegam de fora da cidade e querem seguir para os hospitais possam fazê-lo e que o munícipio está dando auxilio financeiro para o enterro. Mórbido. Macabro. Fúnebre. Nojento.

Houve falhas gritantes, como sempre acontece nos grandes desastres. Isso é mais que evidente.  O que matou as pessoas foi a fumaça tóxica, claro. A polícia irá descobrir as causas do incêndio, óbvio. Se foi criminoso. Se foi acidental. Haverá uma resposta. Mas só isso não basta.

Existia na boate outras irregularidades. Não havia saídas de emergências. O extintor não funcionou. E os seguranças não eram treinados para estas situações.  Portanto as autoridades fiscalizadoras da cidade foram omissas e devem ser responsabilizadas também.

Acidentes de enormes proporções dificilmente é fruto de um único fator.  E sim de uma cadeia de fatores. O chamado efeito dominó.

O incêndio numa discoteca da Argentina, em 30 de dezembro de 2004, matou 194 pessoas. O prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, foi alvo de um processo de impeachment e destituído dois anos depois.

É o que tem que acontecer em Santa Maria, no mínimo. Concordam?

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