Aberta a temporada de caça aos dependentes químicos. Obrigado João!

O “prefake” de São Paulo João Dória e o governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, inauguraram a temporada de caça aos dependentes químicos. Desde o dia 25 de maio está autorizado a internação compulsória de brasileiros que se encontrem nesta situação de penúria.

Muito bem! Eles estão de parabéns! Se mostram homens antenados com o momento de decadência que a nação vive.

Em vez de caminharmos pra frente, estamos retrocedendo décadas. Seja no campo social, econômico ou cultural. É o efeito golpe de estado em ação, então nada mais natural que esses dois higienistas recriem a triste figura do “homem da carrocinha”.

Relembrando, o “homem da carrocinha” era um funcionário público cuja função consistia em, literalmente, laçar e prender os cães que encontrassem vagando pelas ruas. Eram detestados.  Não raro brigavam com os donos dos animais. Muito ativos nos anos 60, 70 foram decaindo com o tempo, até serem extintos em 2008.

Agora esse personagem volta a ação. Não para pegar cães, mas gente.

Homens, mulheres, jovens, crianças que estiverem andando sem rumo, com jeitão de “drogados” poderão, a qualquer momento, serem laçados e internados à força numa clínica ou hospital, segundo eles, especializados no tratamento deste tipo de doença. Um médico decidirá o futuro desses seres.

Se a apreensão dos cachorros tinha a finalidade de conter doenças, a dos “drogados” tem que função? Será que o João e o Geraldo estão preocupados com a saúde dessa parcela da sociedade ou simplesmente querem se livrar da “sujeira”?

E a abordagem será com respeito ou com truculência? Ou se tornará comum vermos pessoas correndo sendo perseguidas por homens com laços na mão? E quando laçarem, vão colocar no “camburão” demonstrando o mesmo desprezo pela vida que os antigos mostravam com os animais?

Cruel. Muito cruel.

Apesar de ter sido revogado a autorização para tal atrocidade ela pode voltar a qualquer instante. Temos que estar vigilantes.

O que fica claro é que tanto o “prefake” de São Paulo como o governador não passam de fascistas, travestidos de democratas.

Que tempos difíceis viveremos!

Temos que derrotar o golpe e restaurar a democracia. Só existe esta saída.

Falta água em São Paulo e o governador ganha prêmio de Gestor Hídrico. É um absurdo.

sem águaAbsurdo dos absurdos é o prêmio de concedido ao governador Geraldo Alckmin na categoria “Gestão Hídrica” pela câmara de deputados. Indicação do tucano João Paulo Papa.

Esse deputado só pode ser um gozador mal intencionado. Gozador porque ele mesmo deve rir de seu gesto no sozinho do banheiro. A indicação bisonha do nobre não tem o menor cabimento.

Mal intencionado porque ele deve estar amaciando a carne do Geraldo para as próximas eleições presidenciais.

A falta d´água é culpa exclusiva da má gestão hídrica dos PSDBistas. Eles são os culpados, únicos culpados, pelo racionamento cruel imposto aos moradores do estado. Não há por onde fugir de sua responsabilidade.

Pois os tucanos voam sobre esta comarca há 35 anos. Começaram a construir seu ninho com Franco Montoro, na década de 80, e desde então veem se revezando no comando do estado. Covas, Geraldo, Geraldo, Serra, Serra, Geraldo, Geraldo, Serra, Serra e por aí vai, com raras aparições de outros, tipo Maluf, Lembo, Goldman.

Há muito o sistema de abastecimento vem dando sinais de esgotamento. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) alertou, por várias vezes, a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos sobre a escassez de água se não houvesse um plano de contingenciamento.

E o que os gestores estaduais fizeram? Bem, pra não dizer que não fizeram nada, eles, seguindo a receita neoliberal, recheada de Ricardos e Adam Smiths, privatizaram a SABESP. E o “agraciado com o premio” deu a maior riqueza da humanidade pros gringos explorarem. Caramba! O que os americanos têm a ver com nossa água? Por que eles merecem ganhar dinheiro às custas de nossos recursos?

Infelizmente a SABESP virou uma companhia capitalista e água deixou de ser um bem comum transformando-se numa mercadoria.

Alguém acha que a empresa, visando lucro, iria dizer angelicamente: população poupem água. Comprem menos o nosso produto, ou seja, bebam menos água, tomem menos banho, lavem menos roupa, deem menos descarga e etc.?

Não tem por onde, os capitalistas são predadores por nascença. A consciência ambiental se resume em dividendos. Exploram, exploram até o esgotamento final.

O que dizer de grandes empresas de São Paulo que têm desconto na conta quanto mais consomem? Lucro, lucro e lucro.

Por mais que a mídia esconda e manipule as informações sobre o racionamento hídrico de São Paulo o problema sempre vem à tona e expõem mais um a vez a incapacidade do PSDB de se levar a sério e de levar a sério o Brasil, o povo e a democracia.

Os tucanos, diante da pequenez moral de seus principais membros, não tomam o famoso“si mancol”.

Olha só o que disse o governador Geraldo: “modéstia à parte, é merecido” ganhar o prêmio. Tá maluco? Numa frase dois erros: para se por à parte governador é preciso tê-lo, e o excelentíssimo nunca teve modéstia. E merecido fica por conta de seus puxa-sacos. Aliás, apenas medíocres precisam de baba-ovos.

O roteiro do premio é digno de pertencer á corrente do chamado Teatro do Absurdo.

Tem todas as características.

  • Retratação de temas relacionados a aspectos e fatos inesperados do cotidiano. 
  • Apresentação de personagens com comportamentos estranhos e bizarros.
  • Enredos absurdos, muitos deles sem possibilidades de existirem na vida real. 
  • E apresentam temática fútil.

Os principais representantes desta corrente são Samuel Beckett, Arthur Adamov, Eugène Ionesco e Jean Genet.

E agora, sem querer ofender estes ilustres escritores, temos um candidato patético a tomar parte deste grupo, se bem que ele é extremamente fraquinho: o nobre deputado tucano João Paulo Papa. O mentor do disparate tucano.

Que tal premiá-lo com o Innovare? Fecha-se o ciclo de bestialidade, não é mesmo?

Absurdo.

adj. Contrário à razão, ao senso comum: intenções absurdas. Que fala ou age de maneira irracional; estúpido; disparatado; tolo. S.m. Tolice, asneira, disparate: cair no absurdo. Por absurdo, falando de uma demonstração, diz-se do raciocínio que prova a verdade de uma proposição, provando o absurdo da proposição contrária.

José do Egito. Alckmin de São Paulo.

Crise hidiricaO faraó sonhou com sete vacas gordas e sete vacas magras. No Egito antigo o Faraó era considerado deus.

Mesmo sendo deus não conseguia entender o significado do sonho. Precavido que era , chamou um decifrador de sonhos afamado. Lá veio o José.

Sete vacas gordas, sete anos de fartura. Sete vacas magras, sete anos de penúria.

O faraó acreditou e se preparou.

Não deu outra. Sete anos de muita fartura: estocou mantimentos.

Passado este período, chegou os tempos de penúria. Então, o Egito se transformou no celeiro do mundo. A salvação de muitos povos, inclusive o do José, israelita de origem.

Bem, muitos conhecem está passagem bíblica, principalmente se for cristão. Nas entrelinhas esconde  uma lição de prudência e de responsabilidade para  com seus governados.

Mas, pelo visto, o governador Geraldo Alckmin (católico praticante, pertencente a Opus Dei) não captou a mensagem dessa história. Ou se ateve apenas à parte metafísica dela.

Fazendo um paralelo, o sistema Cantareira vem há décadas dando sinais de esgotamento. Se esses sinais não foram suficientes para o governador de São Paulo, e seus antecessores, entenderem o que estava por vir, que fizessem então igual ao faraó: chamassem os “Josés” atuais, ou seja, os “especialistas”, para decifrá-lo.

Pois, vários deles vinham alertando as autoridades sobre a tal “crise hídrica” que estava por vir. E eles nada fizeram. Ou melhor, fizeram. Privatizaram a SABESP.

E agora, nós paulistanos, eleitores ou não do PSDB, estamos sofrendo pela irresponsabilidade, insensibilidade dos últimos governos. E as perspectivas são péssimas.

Devido a incompetência ou simples descaso não existe nem um plano B. Quando questionado limita-se a por a culpa na estiagem, em São Pedro e, pasmen,  na ANA (Agência Nacional de Águas). Ápice do descaso e da covardia.

Enquanto isso os rios Tiête, Tamanduateí, Pinheiros e outros continuam poluídos

O José Serra, quando governador, oficializou: o Tiête  é um imenso esgoto a céu aberto, e concretou as suas margens. É um crime ambiental.

E agora, o que fazer? Geraldo Alckmin obteve do governo federal (leia-se Dilma) uma ajuda de R$ 2,5 bilhões, em caráter de urgência. O que ele irá fazer com esse dinheiro ninguém sabe. Pelo visto o tucano está “perdidinho”.

Fica uma sugestão, já que despoluir é algo impensável: vocês que foram tão críticos da obra de transposição do rio São Francisco, ponham a viola no saco, e façam o mesmo com o rio Paraná.

Enfeitem, maquiem, deem “glamour “ a esse projeto. Bradem que é totalmente diferente da que o Lula fez. Chamem famosos “especialistas” em “aga dois ó” para lastreá-la. Mas façam alguma coisa. Só não entreguem para a iniciativa privada, principalmente para Nestlé.

Pode parecer mirabolante, mas essa transposição ficará pronta em muito menos tempo do que ficar esperando chover para  a represa  voltar a encher.

O Cantareira nunca mais atingirá sua completa capacidade, se depender exclusivamente de São Pedro, pois, até com essa esperança vocês acabaram, a partir do momento que usaram o volume morto.

Mas voltando à passagem bíblica. Talvez eu tenha me confundido. Geraldo Alckmin não é o faraó. São Paulo não é o Egito. E o “especialista” não é o José.

E o povo paulistano terá que migrar para outra região de fartura hídrica.

Serviço de inteligência da polícia de São Paulo e a eleição.

onibus queimado2Os ataques de bandidos em São Paulo recomeçaram. Ônibus, prédios públicos, policiais são seus alvos prediletos e costumeiros.

A explicação do governo estadual paulista é sempre a mesma:  os marginais reagem dessa forma porque o governo vem sistematicamente combatendo o crime organizado. Desmantelando as quadrilhas. Usando o  serviço de inteligência. Eles tentam amedrontar as autoridades. Não irão conseguir e etc.

E a população civil, como numa guerra, sofre as consequências.

O discurso é  mesmo proferido em 2006, pelo mesmo governador, durante a primeira onda de terror perpetrada pelo PCC.

Naquela época  Geraldo Alckmin negava o crime organizado. Desdenhava das fictícias lideranças. E, por fim, acabou negociando com o chefe da facção, Marcola, uma trégua. Em 2006, Alckmin deixou o governo para concorrer à presidência.  Assumiu Claudio Lembo, completando o mandato.

A paz só se faz entre inimigos, dizia Yasser Arafat. E inimigos guardam rancores, insuperáveis.

Os rancores são vulcões adormecidos. De um momento para outro explodem. É a pressão.

No caso de um acordo, qualquer perturbação eclodirá em agressões. É o que vemos atualmente.

Quem quebrou o acordo, não se sabe. E não saberemos tão cedo.

Há indícios.

O serviço de inteligência de São Paulo soube que bandidos iriam explodir caixa eletrônicos na cidade de Itamonte, MG. Preparou o cerco com 180 policiais. Dos 25 quadrilheiros, 9 morreram. E um inocente também. E outros tantos foram presos, alguns furaram o cerco. E, apesar de todo aparato uma agência foi destruída.

 A tentativa de resgate de chefes do PCC do presídio segurança máxima de Presidente Wenceslau, SP,  foi descoberto pelo mesmo departamento.  Seriam usados um avião e dois helicópteros, com as cores das aeronaves da  PM. Um deles seria blindado e daria cobertura . Três integrantes da facção tiveram aulas de pilotagem.

Marcola e comparsas depois de resgatados seriam levados a Loanda, nas proximidades de Maringá (PR), e de lá transferidos para o Paraguai. A fuga poderia se dar a qualquer momento.

Esses dados estavam em relatórios sigilosos. E de tão sigilosos a Globo já tinha montado um aparato para transmissão ao vivo da espetacular operação.

Bem, é elogiável que a inteligência da polícia tenha se mostrado competente  nesses dois casos.

Geraldo Alckmin se derramou em loas. Melhor policia do Brasil, a mais bem preparada, a mais equipada. Não é bem assim, que o digam os manifestantes do passe livre.

Porém as autoridades não souberam de antemão da tentativa de sequestro do filho do governador. Só evitado pela presença de seguranças. E pela sorte.

Não parece estranho? De repente o departamento, como quebrando a inércia de 20 anos, começa a funcionar.

E ficam as perguntas.

Por que deixaram explodir uma agência?

E por que a mídia foi avisada? Será que o plano de fuga realmente existiu? Ou é um outro plano Cohen?

Será que a tentativa de sequestro do filho não foi uma armação?

São hipóteses cruéis e desanimadoras. Porém factíveis.

Numa guerra vale tudo, quebra-se, então, o acordo de paz. O PCC é um trunfo eleitoreiro.

Geraldo é candidato, assustado, à reeleição. O PSDB pode perder um dos seus últimos redutos, até colapsar de vez. Alexandre Padilha (PT) é um adversário de peso.

O governador precisa mostrar um imagem de força, coragem e determinação. Nada melhor que essas ações. Amplificadas pela mídia.

Agora cidadãos estão no meio do fogo cruzado. De interesses egoístas.

Até quando? Vamos esperar uma nova negociação pela volta da tranquilidade?

PSDB, é tempo de murici,que cada um cuide de si.

geraldo e serraEsta história se passa nos tempos da guerra de Canudos.

O coronel Antônio Moreira César, conhecido como “corta-cabeças”, devido à fama de ter mandado degolar mais de cem prisioneiros na guerra do Contestado, foi convocado para liderar a terceira expedição contra o povoado de Antônio Conselheiro. A fama de durão e implacável já se espalhara por todo território nacional.

Era o homem certo para acabar com os insurgentes-monarquistas-sertanejos. E como todo homem prepotente escolheu como segundo alguém que não ofuscasse a sua glória. Já que a vitória sobre Canudos era dada como certa. O nome do homem? Coronel Tamarindo.

Este Tamarindo era oficial fim de carreira. Do tipo: não façam ondas.  A meta de vida era continuar vivo. E curtir sua aposentadoria.

Bem, resumidamente: Moreira César foi morto durante o assalto ao povoado. Os soldados ficaram desorientados. Sem saber o que fazer, perdidos, todos olharam então para o Tamarindo. E o que o “excelentíssimo” fez quando alguém lhe perguntou quais as ordens? Simplesmente disse o famoso dito popular: é tempo de murici, que cada um cuide de si. Tomado de pavor.  Largou a arma e saiu correndo. Mas não foi muito longe. Caiu sem vida, trespassado por um tiro.

Me lembrei dessa passagem de Canudos devido aos recentes acontecimentos envolvendo os tucanos.

A mídia, isso já foi dito várias vezes, por diversos jornalistas, assumiu a direção oposicionista ao governo do PT.

O PSDB, como principal partido de oposição, aceita essa condição de ator coadjuvante no cenário político. E vive sob a sombra de asas desses meios de comunicação.

A imprensa hegemônica, liderado pelas Organizações Globo, tem como principais membros a Veja, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo.

Esse cartel faz e desfaz. Cria e destrói, coisas e pessoas.  Seus passos são matematicamente orquestrados. Um dá a noticia. Outro chama um especialista. E o terceiro amplifica. E vice-versa. Até virar verdade.

Este clube do mal fez diversas vítimas. Entre elas Getúlio Vargas, João Goulart e Lula em 90.

Os dois primeiro não tiveram como se proteger. Foram dizimados. E Lula só não foi derrubado em 2005 porque existia a internet e seus blogs. Com gente indignada mostrando o outro lado da moeda. Felizmente.

Porém, como esse mundo dá voltas, a Globo foi pega em sonegação de imposto de renda. Algo em torno de R$ 650 milhões de reais. É muito dinheiro.  Mas o pior são os donos causados à sua imagem de honestidade e imparcialidade. Guardião dos bons costumes e coisa e tal.

Aí é que entra o ditado “é tempo de murici…”.

O escândalo do propinoduto dos tucanos, que seria facilmente jogado para debaixo do tapete pela imprensa, teve que vir a baila. Demorou a ser noticiado, mas não teve outro jeito. Antes eles do que eu. Saíram correndo, como o coronel.

A Globo deu a ordem: desviar o foco, a cobrança e um possível protesto.

Bajular o governo, também faz parte da estratégia da platinada, faz parte da tentativa de amenizar sua situação perante o fisco.  Pois, até as os avanços sociais, antes relegados, estão sendo reportados.  Hipocrisia, não é mesmo Mercadante?

Neste exato momento Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e os psdbistas estão abandonados à própria sorte. Sorte que escolheram, diga-se de passagem.

Não totalmente largados. Há um espaço para se defenderem. O governador tem que convencer os paulistanos de que o governo estadual não sabia, não está envolvido, a Siemens mente descaradamente e que tudo será feito para punir os culpados. Nem que precise exumar cadáveres.

Agora os tucanos terão que demonstrar competência para continuarem merecendo a proteção da mídia.

Estava fácil demais, não é mesmo?

Lenda, PCC e o governador Geraldo Alckmin.

“Diz a lenda que…” é uma expressão muito usada quando surge uma notícia e as pessoas, como São Tomé, só acreditam vendo. Acham que nada vai acontecer. Pois, foi com uma frase como essa que  Geraldo Alckmin se referiu ao crime organizado, mais propriamente ao PCC. Ele acha que essa associação é de faz-de-conta. Até que se prove o contrário.

Há 6 anos atrás, em maio de 2006 o estado de São Paulo viveu momentos de terror.  Membros do Primeiro Comando da Capital cometeram vários atentados durante uma semana. Na ocasião, foram assassinados policiais, civis e militares, agentes penitenciários, cidadãos comuns e ônibus foram incendiados. Em uma cena inusitada a televisão mostrou bombeiros armados e caminhões obstruindo o portão de entrada da guarnição. A população perplexa, desprotegida, ficou acuada diante dessas  ações violentas.

As viaturas da PM passaram a andar com três policiais. Um dos militares vigiava os carros que vinham atrás. Percebia-se claramente, pelo olhar do policial, o medo e o momento de tensão que passavam. E a sede de vingança.  A abordagem era extremamente perigosa.

Os agentes ficaram  indignados com a atitude dos seus superiores quando souberam que o secretário da segurança, juntamente com os comandantes e delegados, todos pertencentes ao mais alto escalão, sabiam de antemão que eles seriam vítimas dos ataques e não alertaram a corporação. Sentiram-se traídos. Resultado: muitos morreram sem esboçar reação. Foram pegos de surpresa. Não puderam se prevenir.

E, o que era impensável aconteceu: São Paulo parou. Após quatro dias de violência o pânico tomou conta da cidade.  Às três horas da tarde, de um dia útil, o comércio fechou as portas, repartições públicas dispensaram os funcionários. A indústria liberou os empregados. Interromperam-se as aulas nas escolas e faculdades.  A informação era de que: quem fosse pego, após esse horário, na rua iria ser morto. Estava decretado o estado de sítio na maior cidade da América do Sul.

O governador do estado à época era Cláudio Lembo, Geraldo Alckmin havia renunciado ao cargo para concorrer à presidência. Ele e sua cúpula, como cachorro em mudança, estavam perdidos em frente está situação.  O então ministro Tomás Bastos ofereceu a guarda nacional e as forças armadas para ajudar. O governador dispensou a oferta. Tudo estava sobe controle. Só não disse sobe controle de quem.  Horas mais tarde a mídia noticiou: o governo negociou com o PCC o fim dos ataques. A intermediária na negociação foi a advogada e ex-delegada da Polícia Civil, Iracema Vasciaveo. O governo sucumbiu diante da lenda.

No entanto os atos violentos não terminaram. Apenas mudaram de lado. A polícia começou então sua represália. Muitos suspeitos foram mortos. E, como numa guerra, muitos inocentes também.

Bem, voltando a 2012. Até este momento foram mortos 76 policiais. Em reportagem publicada no estadão, o governo federal  “aumentou o alerta para São Paulo por causa das ações recentes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Um relatório especial feito pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que abastece o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ligado à Presidência da República, mostra que a situação, ruim há alguns meses, tende a se agravar em razão da resposta do grupo às ações das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). O governo de São Paulo nega.”.

Ainda, segundo a reportagem o comando PCC evocou o artigo 18 de seu estatuto. “Vida se paga com vida e sangue se paga com sangue”. Para cada membro da facção morto, um policial deve ser assassinado. A morte do soldado André Peres de Carvalho, do 1.º Batalhão de Choque (Rota), na capital, teria sido recebida  pelo PCC como uma “vitória”.  A morte do “Cabo Bruno”, justiceiro da década de 80, recentemente posto em liberdade,  também foi considerado um troféu.

E o atual secretário da segurança, Antonio Ferreira Pinto, disse que ficou indignado com o relatório. Conforme ele estas “são notícias sem fundamento. A Abin não monitora presídios e não mantém contato com a inteligência do Estado. Não monitora nem as fronteiras para coibir a entrada de armas e drogas.” Ele acusou a agência de, no período pré-eleitoral, servir a interesses político-partidários.

Enquanto ele fica indignado com o documento do governo federal, as famílias dos policiais mortos ficam de luto. Convenhamos, é um sentimento mesquinho do secretário.

A Folha de São Paulo revelou que a polícia apreendeu 400 documentos pertencentes à facção criminosa. Estes arquivos mostram que o PCC está muito organizado.  O Comando possui  1343 “funcionários” na rua. Mais do que soldados da rota. E dispostos a cumprir a cláusula 18.

E o governador diante de todos estes fatos acha que é lenda. Outra vez, como em 2006.

E pensar que tudo começou com o massacre do Carandiru, em 1992. Foram chacinados 111 presos. Consequência desse ato tresloucado: fomos condenados internacionalmente e só isso. Até hoje nenhum policial foi preso. Não houve diminuição da população carcerária. Os crimes não diminuíram. E o PCC se organizou.

A prepotência sempre leva a desastres.  O governo de São Paulo subestima a capacidade de pensar e de se organizar da população. Sejam eles bandidos ou trabalhadores. Quando acontece ficam com aquela expressão de espanto e raiva. É histórica essa soberba. E perigosa.