Entre as reivindicações dos caminhoneiros deveria ter um “Fora Temer”.

Em 2015 os caminhoneiros pararam exigindo a saída da Dilma Rousseff.

A greve, com óbvio viés político, vinha floreada com reivindicações pueris tipo melhora da economia. Não apresentavam sugestões. Era a melhora pela melhora.

A saída da presidenta significava, à época, a cura para todos os males do Brasil. Ao menos era no que acreditavam os maldosos, ingênuos ou interesseiros caminhoneiros. Estes trabalhadores chegaram a se juntar com o grupelho do MBL, lembram-se?

Pois bem, conseguiram. Dilma Rousseff caiu. Vítima que foi de uma avalanche de motivos estúpidos, fracos e cretinos perpetrados e lastreados pela mídia golpista. Era tempo do “barata voa”. Da glória do moleque Aécio Neves.

E a quadrilha tomou as rédeas do país. O traidor Michel Temer tornou-se presidente. Rapidamente impôs medidas impopulares. Medidas estas que jamais seriam aprovadas em qualquer escrutínio. Jamais!

Passado  2 anos o que vemos é a completa destruição de um país. 14 milhões de desempregados. Com o fim dos programas sociais, voltamos ao mapa da fome. Crianças morrem de desnutrição. Cresce exponecialmente moradores de rua. Canalhas entregam nossas riquezas. O pré-sal, maior reserva de petróleo descoberta nos últimos anos, é dada a empresas estrangeiras. Sucateiam a educação, a saúde. Travam pesquisas. E dão risadas na nossa cara.

Pedro Parente é colocado como presidente da Petrobrás. Sua única missão, preparar a empresa para vendê-la.  

E como faz isto com gosto. Não pensa no desenvolvimento do país. Nos milhares de brasileiros que ficarão desempregados. Cabeça tosca e pequena não enxerga além do próprio nariz. Aliás, nariz  voltado para o mercado de ações. Para Wall Street.  Na sua visão, só deve satisfação aos investidores.

Há algum tempo fechou acordo com a Justiça dos Estados Unidos para que a estatal brasileira pagasse US$ 2,95 bilhões – o equivalente a R$ 10 bilhões – aos acionistas norte-americanos. Assim, o dinheiro recuperado pela Lava Jato seguiu direto para os Estados Unidos.

Recentemente adiantou R$ 2 bilhões ao banco JP Morgam, presidido por José Berenguer, referente a um empréstimo que venceria apenas em 2022.  Segundo a revista eletrônica Crusoé, Berenguer e Parente, na prática, são sócios.

E com essa desastrada política de preços baseado nas oscilações do mercado de ações do petróleo levou o país ao caos.

Os caminhoneiros pararam. Se é greve ou locaute neste momento é o que menos importa. Suas reivindicações são mais do que justas. Os combustíveis aumentam toda semana.

Para um país que tem como principal meio de escoamento de produtos e mercadorias o transporte rodoviário é mais do que óbvio que cedo ou tarde estes trabalhadores iriam reclamar.

É difícil. O profissional fecha um acordo de frete e  no meio do caminho o diesel aumenta, o pedágio aumenta e ele vê seu ganho diminuir, ou pior ter prejuízo. Assim não dá, não é mesmo?

Enquanto isso seu Pedro Parente age como se a Petrobrás fosse sua. Diante do caos, ele vai abrir uma concessão ao governo e diminui o preço em 10%, até que o governo negocie com os grevistas. Mas não abre mão de sua política de preços. E que se dane o país. O poder fez mal à sanidade deste senhor.

Bem, então não há saída. O governo golpista fechou um acordo com a categoria. Os 10 % de desconto será mantido por trinta dias, periodicamente. Zerou a alíquota da CIDE. Entre outros pontos. Temer dará uma compensação financeira para os “prejuízos” da Petrobras, ou seja, todo cidadão brasileiro ajudará a manter o nível de ganho dos investidores estrangeiros da estatal.

A greve continua. Temer mandou descer o cacete na turma que insistir em bloquear o livre ir e vir. Forças armadas a postos.

Este é o típico acordo “engana trouxa”. Uma bomba-relógio que irá explodir.

A política de preços, como já disse o Barão Pedro Parente, irá continuar a mesma, certo? Temer afirmou que não demite Pedro, certo? Logo…

Então está na hora dos caminhoneiros assumirem outras bandeiras. Contundentes. Que tal o “Fora Temer”? 

 Mas se querem se redimir com a nação e com a história o certo seria “Volta Dilma”, “Lula Livre”, “Lula Inocente”, “Lula Presidente”. Seria o certo, não acham?  

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Por descaso com a história a luta contra o golpe se resumiu a um pleito eleitoral.

Tivemos mais de 300 anos de escravidão, e até hoje não estudamos o impacto que esta política escravocrata teve na formação do caráter do brasileiro.

Humanos africanos trazidos à força para uma terra estranha, com línguas e costumes diferentes, transportados acorrentados em porões de navios fétidos. Os negreiros. Assustados, maltratados, sem comida, água. Morriam às centenas. E os corpos simplesmente atirados ao mar. Sem preocupação. Afinal, eram animais. E o lucro, imenso.

Desembarcavam tontos, curvados, olhar perdido, extenuados. Imediatamente postos à venda. Cais do Valongo. Dentes, idade, sexo examinados. Dependendo, lavoura ou trabalhos domésticos.  E lá iam eles servirem a seus novos senhores.

Em 13 de Maio de 1888 foi decretado o fim da escravidão. Lei Áurea.

Artigo 1: “É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brazil. Artigo 2: Revogam-se as disposições em contrário”. Só isso.

E o que fazer com os quase dois milhões ex-escravos? Alguma indenização? Alguma ajuda aos libertos? Deram terras para que pudessem trabalhar? Alguma preocupação com a integração deles com a sociedade? Não. Nada! Nenhum tipo de compensação. Largados sem eira nem beira.

E apenas dois anos depois, 1890, os republicanos queriam que as pessoas virassem a página da escravidão. Esquecessem as atrocidades do escravismo. Oras bolas!

Percebam o que diz um dos versos do hino Proclamação da República: “Nós nem cremos que escravos outrora/Tenha havido em tão nobre País…/
Hoje o rubro lampejo da aurora /Acha irmãos, não tiranos hostis./Somos todos iguais! …”

Como assim “Nós nem cremos que escravos outrora/Tenha havido em tão nobre País…/”?

Houve sim e deveria ser estudado. E não deixado pra lá. E por culpa desta postura estúpida, interesseira e covarde 130 anos depois da abolição os pretos ainda tem que lutar contra a discriminação, o racismo e pelo fim da escravidão de fato.

“O nosso caráter, temperamento, a nossa moral acham-se terrivelmente afetados pelas influências com que a escravidão passou 300 anos a permear a sociedade brasileira (…) enquanto essa obra não estiver concluída, o abolicionismo terá sempre razão de ser”. Joaquim Nabuco.

Este comportamento de avestruz também foi mais uma vez utilizado quando a ditadura de 64 apodreceu e caiu. Em 1985.

Há algo mais vil do que a tal lei da anistia? Eu, que oprimi, censurei, reprimi, torturei e matei entrego o poder aos civis,  mas antes vou me “autoanistiar”. E pronto. E os ministros do atual STF revalidam esta aberração. É certo isso?

Recentemente soubemos que as execuções de prisioneiros eram praticas comuns. E do conhecimento e com a anuência dos ditadores presidentes. Garrastazu, Geisel e Figueiredo.

E que havia preocupação dos americanos em doutrinar a formação dos oficiais das FFAA a pensarem a favor do EUA.

E que agora, a partir desta doutrinação, começamos a entender por que não há nenhum militar nacionalista. Por que o exército convidou os americanos a participar dos treinamentos de guerra na Amazônia. Por que os militares veem a riqueza do Pré-Sal ser dada a empresas estrangeiras  e não se pronunciam. Ficam mudos com a venda da Petrobrás, da Eletrobrás e da EMBRAER. Compreendemos também o ódio ao PT e ao Lula.

O ministro da defesa, o general da reserva do Exército Joaquim Silva e Luna, afirmou que os documentos são para historiadores e encerrou o assunto sobre os assassinatos como política de Estado. Ou seja, empurrou para debaixo do tapete, novamente. É isso aí, corporativismo acima de tudo.

Os militares percebem o Brasil sob a ótica dos “yankees”. Assim não dá, não é mesmo?

A ditadura, assim como a escravidão, não foi esmiuçada e analisada sob os diversos pontos de vistas. Não me refiro ao ambiente universitário. Estes eventos deveriam ser debatidos e ensinados já no ensino fundamental.

O descaso com a nossa história permitiu, com uma facilidade exacerbante, o golpe de estado de 2016. Permite que chefe do exército ameace o Supremo. Que apareça um Bolsonáro, mas não um Lamarca. Que cidadãos peçam intervenção militar. Que direitos sociais sejam retirados. Que injustiças sejam praticadas. Que  “Marielles” sejam mortas. Que jovens da periferia sejam exterminados e seus autores fiquem impunes. Que a Globo continue a existir.

E que a única chance de reconduzirmos o país à democracia e à justiça se restrinja a um pleito eleitoral.

“É com o supremo, com tudo”, disse Jucá.

Os golpistas podem ser canalhas, corruptos, patifes, inescrupulosos, mentirosos e o escambau;  mas uma coisa não são, moleques.

Quando Juca disse que o golpe era “com o supremo, com tudo” é porque era “com o supremo, com tudo”.

Eles não estão para brincadeiras. A esquerda precisa levá-los mais a sério.

A segunda turma do STF, composta por Fachin, Mendes, Toffoli, Lewandwoski e Celso de Mello, negou a liberdade do Lula. Alguma surpresa? Não!

Aliás, como pode haver surpresa se é quase senso comum que o STF, além de ter participado do  golpe,  é um supremo acovardado?

O covarde não tem lado. Tem paúra.

Se a direita vê a possibilidade de Lula ser solto a sessão ameaça recomeça.

Recentemente, em tom apocalíptico,  o general da reserva Paulo Chagas “tuitou”: “CUIDADO COM A CÓLERA DAS MULTIDÕES !!!  Até o dia 10 de maio, saberemos se Gilmar, Lewandowski e Toffoli tomarão o partido do Brasil ou do crime. Querem boicotar a Lavajato ou fazer justiça?”

As bravatas deste general não são tão preocupantes quanto a que fez o comandante do exército general Villas Boas, também através de “tuite”, no dia 3 de abril. Nesta data o STF julgaria mais um pedido de liberdade do Lula.

Escreveu ele: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.”.

Como vocês podem notar a intimidação feita pela comandante das Forças Armadas não tem prazo de validade. Digamos, é permanente.

Logo, o STF trabalha constantemente ameaçado. O que, convenhamos, não condiz com a democracia e com o bom andamento dos processos.

É duro negociar com que tem armas, não é mesmo?

Bom, para equilibrar a balança da justiça, o STF também teria que se sentir amedrontado com a esquerda.

Mas o que estamos fazendo até agora para que isto ocorra?

Nossas manifestações são todas dentro da legalidade. Não afrontamos os golpistas em nenhum momento.

Se queremos derrotar o golpe temos que partir para as chamadas Ações Diretas. Greves, boicotes, desobediência civil são alguns exemplos.

Gandhi usou este método na ocasião da Marcha do Sal. Indianos passaram a coletar seu próprio sal ao invés de comprar dos ingleses.

Os protestos não cutucam a onça. Somos ignorados. Temos que mostrar a nossa importância dentro da sociedade. Eles são 1%. Nós, 99%.

E mais. Queremos o Lula Livre? Então temos que agir. Ele está com 72 anos. O peso da idade conta muito. Enfrentou um câncer. A perda da esposa. Sua família é perseguida. Está numa solitária. Ele vai aos poucos baqueando.

Compreendo o que o Leonardo Boff disse, mas o homem Lula não está bem, não pode estar bem. Ele está preso! E se depender dos odiosos irá morrer por lá.

Não é justo deixar isto acontecer com a pessoa que fez tanto pela população. Que não cometeu crime.  É um absurdo!

O tempo trabalha a favor dos golpistas e dos traidores. E contra o povo.

O momento requer ações. Não podemos esperar soluções dentro da “legalidade”.JUca

 

“Eleição sem Lula é fraude. Mas mesmo assim temos que participar desta fraude.”

Temos que participar das eleições. E derrotar o golpe, pois a destruição do país continua.

Enquanto os olhos da esquerda se voltam exclusivamente para o preso político Lula e pedem sua libertação, com razão, o golpe continua a devastar tudo que vê pela frente. E mais, procurando legitimar a própria usurpação.

Moreira Franco, o gatinho angorá, o que não pode ficar perto de um cofre, segundo FHC, foi nomeado ministro das minas e energia. É a raposa esfomeada tomando conta do galinheiro.

Além da continuidade da imunidade que o cargo de ministro lhe proporciona,o ministro tem como missão primeira dar um fim nas  grandes estatais e nas riquezas brasileiras. Adeus Petrobrás, Eletrobrás, petróleo, água, nióbio, tório, ferro, manganês e etc… País em mudança, vende tudo, é o seu lema. Lucro máximo. Retorno mínimo.

Enquanto lutamos pela libertação do preso político Lula, condenado sem provas, os golpistas se preocupam em “lavar” o Brasil. E lavar o Brasil significa: lavar o golpe vigarista, lavar dinheiro e lavar a Lava Jato. Sacanagem atrás de sacanagem.

Lavar o golpe é legitimar os golpistas no poder através de eleição para presidente. Sem Lula no páreo, julgam eles, a vitória de um de seus quadrilheiros está garantida. Ficou bem mais fácil emplacar um dos canalhas, escolhidos por outros canalhas, certo?

A direita tem o Geraldo Alckmin, com mais chance e só. Bem que Fernando Henrique Cardoso tentou arregimentar outros nomes, mas o tucano é que chamamos de dedo podre. Só escolhe traste. Vide  Aécio Neves, e depois o animador de auditório  e mais recentemente o vendedor de roupas. Não deram em nada. Exceto Neves que pela canalhice jogou o país no caos.

O embate será entre a direita e a extrema direita, como bem colocou Haddad. E arrisco em afirmar: a disputa final será entre Alckmin e Bolsonaro. Entre o fascista com fala mansa e o fascista truculento. Com a eleição do “santo”.

A lógica da quadrilha é a de que tendo eleições, livres e diretas, ninguém mais poderá dizer que o país vive sob o regime de exceção, não é democrático ou tivemos golpe.  

No Paraguai foi assim, por que aqui seria diferente?

E mais. A eleição, sem Lula, com certeza, será transparente e honesta. Haverá inclusive observadores estrangeiros a garantir e avalizar a lisura do pleito.  A quadrilha sabe: com a corrida ganha, pra que correr o risco de ser pego  fraudando, não é mesmo? Seria estupidez, no mínimo.

Então, onde está a sacanagem? A sacanagem está na não participação do Lula. Eleição sem Lula já é uma fraude por si só.

Por quê? Porque Lula lidera em todas as pesquisas. Os golpistas se pelam de medo do ex-sindicalista. A população o quer como presidente outra vez, é imbatível. Os motivos para alijá-lo da participação são enganosos. Lula não é dono do tal do Triplex, o réu provou sua inocência (tem cabimento o réu provar a inocência?). Não participou de nenhum esquema de corrupção na Petrobrás, conforme auditou a PricewaterhouseCoopers.

Mesmo assim o condenaram a 12 anos e 1 mês de reclusão, na base da convicção de um elemento que se diz procurador e não passa de um fanático. Com a corroboração da Globo.  Este foi o embuste usado pelos embusteiros do MPF e do Judiciário. Manipular a população.

Tudo caminha para proibição de que Luis Inácio Lula da Silva saia candidato.

Em se confirmando este veto, só há um motivo para a esquerda participar desta fraude eleitoral. Ganhar alguns minutos nos meios de comunicação e denunciar o golpe. Aproveitar a oportunidade, dar nome aos atores do golpe, o “modus operandi” do golpe, as falcatruas, os roubos e patifaria da traição, a manipulação da mídia e mostrar à exaustão as mentiras.

Falar sobre Tacla Duran, o advogado que denuncia a máfia da delação premiada da Lava Jato. E que apresenta provas.  Lembrar que os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) acionaram a PGR Raquel Dodge. E ela  até agora não se mexeu. Talvez a escola do “não vem ao caso” tenha feito mais uma pupila. Vão-se os dedos, ficam-se os anéis. Esposa de Moro, amigo do Moro, força-tarefa do Moro foram citados por Tacla.

Dizer como a Lava Jato destruiu a indústria naval, como desmontou as grandes empresas de construção civil, como provocou desempregos. E mostrar porque a força tarefa é seletiva na sua busca insana por culpados.

Colocar o áudio do Romero Jucá dizendo que tem que acabar com essa “porra”, essa “porra” é a lava jato,  “estancar a sangria”, “com supremo, com tudo”… Chamar para manifestações.

Claro que os programas serão censurados pelo STF. Mas não se pode perder as pequenas oportunidades que a vida proporciona, não é mesmo?

Fora isso não há por que participar de um evento viciado. O golpe não veio pra ficar só dois anos.

Então esquerda, vamos aproveitar a onda de lavagem e lavar os golpistas do poder?

Ocupar praças, ruas, espaços públicos…Mostrar toda nossa insatisfação com o golpe vigarista. Com a prisão do Lula. Com o fim da democracia…

Vamos à luta! Lula Livre! Porque é, antes de tudo, inocente!

O país está tão mal, tão doente que Lula deveria ser eleito presidente por aclamação.

FOTO OFICIAL PRES LULA

Lula e sua irmã siamesa, a democracia, foram postos à prova durante o percurso da caravana pelos estados do sul. E pode-se afirmar, sem sombra de dúvidas, que saíram vencedores desta batalha. Parabéns! Mostraram destemor e sangue frio diante da violência dos ataques.

A ideia dos fascistas era incutir pavor nos participantes e consequentemente obrigá-los a interromper a marcha… deram com os burros n´água.

Finda a caravana, Lula sai fortalecido.

Um cara forjado nas vicissitudes e dificuldades da vida não recua tão facilmente. E nem se dobra.

Tarimbado, as autoridades o perseguem desde a época de sindicalista. Incontáveis vezes sua vida foi devassada e ameaçada.

Preso em uma única oportunidade, e mesmo assim porque vivíamos num regime de exceção.  Se não fosse este pequeno detalhe ele não saberia o que é ficar encarcerado.

Viu sua companheira morrer de morte matada. Seus filhos prejudicados pela sua atitude desafiadora. Netos, bisnetos atormentados simplesmente por tê-lo como avô, bisavô.

Não é fácil! E não é para qualquer um. Tem que ter o couro grosso, como repetidamente fala em seus discursos.

Considerado por muitos como o melhor presidente do Brasil. Deixou o cargo com aprovação de mais de 80 %. Durante seu governo o país experimentou um crescimento que jamais tinha visto. Saímos do mapa da fome. Pleno emprego. Desenvolvimento em diversas áreas.

Seus desafetos dizem que a conjuntura o favoreceu. Oras, se é verdade que a situação econômica mundial o favoreceu ele soube aproveitá-la muito bem, não é mesmo?

Presidente duas vezes. Indicado ao prêmio Nobel da Paz. Recebeu o título de doutor Honoris Causa de inúmeras universidades. Resgatou a dignidade do povo brasileiro. Respeitado mundialmente. De inteligência rara é a pessoa indicada pra conduzir o país e retirá-lo do mar de lama em que se encontra.

Não só isso. Acima de tudo tem postura de estadista. Democrata até a medula dos ossos.

Condenado sem provas, sofre perseguição da justiça. E mesmo assim diz, a quem quiser ouvir,  que acredita piamente na justiça. E espera o resultado com a calma e o equilíbrio que só uma alma que não tem culpa no cartório tem.

Infelizmente, os personagens golpistas,  já cansativamente citados, querem vê-lo preso ou alijado da disputa eleitoral de qualquer maneira.

Cada nascer do sol traz consigo uma penca de dissabores.  E o Brasil vai se afundando cada vez mais. E como o fundo do poço está longe, a população terá ainda muito o que sofrer.

Fascistas agora pensam em matar o ex-presidente. Não duvidem que irão tentar novamente.

Santos Dias, grande líder sindical da década de 70, foi assassinado pela PM enquanto fazia panfletagem. O tiro acertou as costas do metalúrgico.  O soldado que atirou ficou livre.  As condições atuais são as mesmas daquela época, ditadura, ódio e pensamento tacanho nazifascista.

Outra coisa. A preocupação dos tucanos com o destino da população brasileira é zero,  tendendo ao negativo.

O naipe dos candidatos dos golpistas é de uma mediocridade aviltante. O Fernando Henrique, com  toda sua autoproclamada superioridade intelectual, indicou primeiro um animador de auditório para presidente e como não emplacou, escolheu  a seguir um vendedor de roupas… Tem cabimento?  E se não der certo também, vai tu mesmo Alckmin. E o país que se dane, não é mesmo?

Bem, as condições sociais, econômicas e políticas hoje estão tão caóticas que talvez não tivesse que haver eleição mesmo.

Lula deveria ser eleito por aclamação.

É o único cidadão que reuni todas as condições para colocar a nação de volta nos eixos. Não tem outro com tantos predicados, experiência e respeitabilidade internacional.

Um talento desta proporção nenhum país pode desperdiçar. Exceto, pelo que se vê, o nosso, o Brasil. O Brasil do golpe.

Luís Inácio Lula da Silva é inocente. Lula presidente. Só ele é ele. E fim, o resto é conversa pra boi dormir.

Não haverá eleições em 2018. Já estamos numa ditadura.

Todos os ingredientes de um golpe estão sendo apresentados à população.

O perfil dos golpistas é o clássico, marginais psicopatas. Insensíveis. Falsos. Destroem o país e humilham o povo. E não estão nem aí para as consequências. É urgente aniquilá-los. Se me permitem uma comparação assistam o filme “Marte Ataca”, de 1996. Os usurpadores são cuspido e escarrado os marcianos.

As instituições estão contaminadas por quadrilheiros golpistas. Lembram-se do que o Jucá falou “com o supremo com tudo”?

Dilma, mulher honesta, trabalhadora e guerreira, não cometeu crime algum que justificasse a derrubada do seu governo. Mas seu cargo foi surrupiado pelo seu vice Michel Temer, o traidor. 54 milhões de votos jogados na latrina.

Lula sofre perseguição safada por parte da justiça. Será preso sem provas. Coisa de ditadura.

Acabam com direitos trabalhistas, com programas sociais, com a educação, com a saúde, com a previdência. Voltamos a fazer parte do mapa da fome. Desemprego, miséria, assistencialismo retornam ao cenário brasileiro.

Por erro estratégico e tático, não se combateu veemente o golpe no nascedouro.

Pois, nenhum grupo dá golpe e faz o que fizeram com o Brasil para ficar apenas 2 anos no poder.

A Shell não compraria parte do pré-sal se Temer não desse garantias de que o contrato não seria anulado por futuros governos. Nem os chineses, nem o noruegueses e muito menos os americanos fariam negócios  se não se sentissem seguros nos investimentos. E qual a segurança? A de que não haverá governo fora da esfera de domínio dos golpistas.

Então estes sinais não deixam dúvidas, não haverá eleições em 2018. Ou, se houver não será democrática, transparente e muito menos honesta. Nenhum progressista assumirá o comando da nação. A quadrilha não permitirá, em hipótese alguma. Olhem Honduras.

Alguns estão mais preocupados em combater o “golpe dentro do golpe” do que o golpe originário? Eles, por acaso, participaram do golpe para estar tão preocupados com o destino dos golpistas?

Vejamos. Em 1964 democratas, como JK, apoiaram a golpistas originários.  Carlos Lacerda esfregava as mãos de contentamento com o golpe. Acreditava piamente que sua hora chegara. Finalmente assumiria o cargo de presidente. Infelizmente a ganância os cegou. Os militares deram o “golpe dentro do golpe”. Gostaram do poder. E lá permaneceram por duas décadas. O fim dos tais democratas sabemos qual foi.

Quem será que atualmente está com receio que a história se repita? Aqui falando com meu umbigo chego a conclusão de que só golpistas teriam este medo, não todos, é claro .

A ditadura não se estabeleceu de vez porque existe um cara chamado Luis Inácio Lula da Silva. Sozinho carrega o peso da democracia nas costas.

A direita subestimou o ex-presidente Lula. E superestimou o poder da Globo em arruinar reputações. Agora não sabe o que fazer. Estão com paúra de prendê-lo. Quem tem cuida, não é verdade?

 A ditadura se impõe. O exército esta nas ruas. Resolver o problema da violência é o que menos interessa. Mostrar força é o que importa.

E agora tivemos o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro. Obra de uma ditadura. Assim como antes fizeram com o estudante Edson Luiz,  com Vladimir Herzog, com Santos Dias…Momentos de terror.

Marielle foi escolhida a dedo.

Os mandantes da morte da ativista sabiam exatamente o que estavam fazendo, quais as consequências advindas e para quem era o recado.

Pois bem, democratas, progressistas, esquerda em geral uni-vos!

O povo , diferentemente do que alguns acreditam, tem que ir pras ruas, e de lá não sair. É necessário, sim, grandes mobilizações, insurreições. Revoltas. Não tolher a cidadã ou cidadão indignados.  Ele tem o direito de gritar, de se expressar. Seja de que modo for. Quem não quer estas manifestações tem medo do quê? De que o país sofra golpe de estado ou sofra mais do que está sofrendo?  Aí seria ingenuidade, muita ingenuidade, não é mesmo?

É preciso paixão e firmeza nos atos. Fora disso, é o abismo.

 

Mulheres entregam abaixo-assinado ao STF e exigem a anulação do Golpe.

No dia Internacional da Mulher houve manifestações em todas as capitais.

Partidos, movimentos e coletivos deixaram seus recados. Igualdade de gênero, racismo, fim da violência, empoderamento do próprio corpo, direito de comandar, inclusão, reconhecimento da dupla jornada entre outros temas.

Como vivemos tempos de golpe, invariavelmente os gritos pediam “Fora Temer”, “Lula Presidente”.

Nós do Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment (MNAI) participamos dos protestos, evidentemente.

Ficamos confortáveis com os nossos gritos exigindo que o STF julgue o Mandado de Segurança, impetrado pela defesa da presidenta junto à corte. E, diante da injustiça cometida, dita não só por nós, mas também por inúmeros juristas, jornalistas e intelectuais, que se anule este golpe vigarista.

Por que confortáveis com um tema que, aos olhos de muitos, parece tão fora do contexto atual? Porque entre os vários ataques sofridos por Dilma um se destaca: a misoginia. E, sabemos, o ser misógino sente ódio à mulher, medo da mulher, tem preconceito contra a mulher e menospreza a capacidade da mulher.

Como a sociedade é machista os argumentos e piadas sexistas foram rapidamente assimiladas e aceitas pela população.

Michel Temer, desfilando sua ignorância,  assumiu a presidência afirmando que  governo sem marido, quebra, lembram-se?  Dilma era divorciada, portanto, não havia um homem a conduzir seus passos. Pecado mor.

Faz quase um ano que o MNAI coleta assinaturas para mostrar ao STF que o povo deseja  saber o posicionamento dos ministros diante do golpe.

Bem, em Brasília, guerreiras  protocolaram a entrega do abaixo-assinado. Os deputados federais Maria do Rosário e Paulo Pimenta, ambos do PT,  apoiaram o ato.

Em São Paulo, o protesto foi em frente ao Fórum Pedro Lessa, Av. Paulista. Fizemos uma “performance” recordando  a sessão “Ipi-ipi-hurra” do congresso que derrubou Dilma. E, depois,  pessoas usando máscaras,  representando os 11 ministros do supremo , entraram no palco dando as costas para a presidenta. Encerramos o evento com um jogral dito por todos os participantes.

Em Porto Alegre a manifestação foi em frente à sede do governo. Com discurso emocionante a companheira do MNAI recordou os desmandos, a “sangria”, o golpe e o desprezo para com o povo brasileiro e especialmente com as mulheres.

A luta está na rua.  E dela não podemos sair.  Não  vamos deixar que o golpe se naturalize. Vamos nos apoderar da narrativa. Os canalhas não descansam, não podemos descansar.