Manifestação em frente ao STF pede anulação do impeachment.

21 junho de 2017 entrará para história.

Neste dia o Supremo Tribunal Federal recebeu a “visita” de manifestantes.  Diferentemente de outros protestos, este não era contra um ministro específico, ou contra uma decisão já tomada pelo supremo. Não, este não foi assim. Este foi grandioso. E grandioso porque os participantes demonstraram determinação e “garra” difícil de se ver.

E por mais estranho e paradoxal que seja, esta manifestação foi justamente para exigir que o tribunal cumprisse com o seu dever constitucional. Que julgasse um mandado de segurança. Não um qualquer. Mas um de extrema importância para o futuro da nação brasileira. Um MS interposto pela defesa de Dilma Rousseff que pede a anulação do “golpe” parlamentar (travestido de impeachment) e sua restituição ao cargo de presidenta.

No final da tarde, aproximadamente 600 pessoas, oriundas de diversas regiões do país, gritaram por justiça. Exigiram a apreciação do mérito do mandado. Clamaram pela anulação do impeachment.

Oradores, se revezando ao microfone, iam expondo os vários motivos que os levaram até ao STF. Lembraram que quem sofre mesmo com o golpe é o povo, com desemprego, com a perda dos direitos trabalhistas, previdenciários e sociais. Que o país está sendo entregue ao rentismo internacional. Que foi uma quadrilha de corruptos que promoveram o golpe. Que o STF não deve se acovardar. Que não se pode jogar no lixo 54,5 milhões de votos.

Um ponto destaco, os manifestantes pediram que a ministra Carmen Lúcia os recebesse, não conseguiram, no entanto um funcionário veio conversar e foi permitida que uma comissão entrasse e protocolasse uma carta aos cuidados da presidente do tribunal. O que foi feito. A carta solicitava que se acelerasse a avaliação do MS. Assinaram o MNAI (Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment) e os comitês de RS (Pelotas e Porto Alegre), SC, SP, RJ, MG, DF, CE, Zurique/Suiça e  PCO (Partido da Causa Operária). Primeira vitória.

Mas o ato em si começou bem antes. Por volta do meio dia teve início o debate sobre as razões de se anular o impeachment e por que a volta da Dilma ao poder é de suma importância para democracia. O mediador foi Antônio Carlos do PCO.

Realço alguns itens do que foi debatido:

Expedito Mendonça, diretor do sindicato dos Servidores Públicos Federal, afirmou que o impeachment é fraudulento, que os trabalhadores estão sendo reprimidos. Pediu ainda solidariedade ao companheiro Othon Pereira Neves, dirigente sindical, preso no dia anterior por chamar funcionários a participar da greve do próximo dia 30.

Edva Aguilar, uma das coordenadoras do MNAI, recordou que precisamos pressionar o STF. Que a Dilma deseja voltar. Que nós não somos um fã clube da presidenta e sim da democracia. Que é mais fácil o STF anular o golpe do que o congresso aprovar as diretas, pois no tribunal precisamos de 6 votos e aprovar a PEC das diretas é necessário a aprovação de 2/3 dos parlamentares, o que é praticamente impossível, pois estamos numa situação de anormalidade institucional.

Erika Kokay, deputada federal (PT), falou sobre a luta de classe, o desmonte das estatais, da perda de direitos, da entrega de nossas riquezas para o sistema financeiro internacional. E afirmou que os movimentos pelas Diretas e Anula o Golpe não são incompatíveis, porque ambos querem o retorno da democracia.

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, enfatizou que vivemos a maior crise do governo golpista. Elementos que articularam o golpe estão envolvidos em corrupções. Destacou que FHC é o chefe maior dos golpistas. O sentido de atos como estes está na luta contra o golpe, na tomada de posição. Não acredita nas eleições diretas sem liquidar com a horda de golpistas. Põe em dúvida, inclusive, as eleições em 2018. Aponta como solução a organização do povo, dos sindicatos, dos movimentos para derrotar o golpe.

Um parênteses. Grupo de empresários, reunidos no Instituto Milleniun, falaram abertamente que as eleições de 2018 será prejudicial aos interesses do país. Recado dado. Cada vez mais as eleições diretas se distanciam da realidade.

Argumentos, conhecimentos, informações foram transmitidos. E mais do que isso, o sentimento de não estar sozinho na luta é revigorante. Saímos dessas manifestações com a alma lavada. Com as funções psíquicas em dia.  Os participantes, presenciais ou não, com certeza sentiram-se representados em algum momento.

Que venham mais atos como este. Que mais pessoas se juntem ao movimento pela anulação. É o caminho correto.

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.” Che Guevara.

O burguês é essencialmente covarde. Os golpistas, então… nem se fala!

Hermann Hesse dizia que o bruguês é essencialmente covarde, por isso precisa de quem o defenda, como polícia, exército, milícia, justiceiros e etc.

E o traidor Michel Temer e suas hordas de bandidos confirmam o que disse o prêmio nobel da literatura: eles são covardes! covardes! essencialmente covardes!

Como se não bastassem atiçarem seus selvagens cães de guerra contra os manifestantes acharam por bem acionarem o exército.

Se eles não sabem, fiquem sabendo: o exército não é treinado para conter manifestantes. Não possue armas não letais. É o última camada de proteção que uma nação tem.

Oras, quando eles chegam é pra resolver. Eles não estão pra negociar, prender. Eles vão para derrotar o inimigo. Matar, se precisar.

É isso que os golpistas querem? Matarem o inimigo? Essa desculpa de garantir a ordem é balela. Típica de gente pusilânime.

Por que não olham para o próprio umbigo? Agentes de vocês, MT, foram infiltrados para tumultuar o protesto. Quando eles agiam depredando os prédios a guarda nacional e a PM faziam vistas grossas. Quando os manifestantes pensavam em fazer algo eles atiravam com armas letais. Há gravação mostrando PM fazendo isso, poderia matar qualquer um. Pois, o amostra grátis de assassino não atirou pro alto, atirou em linha reta, alguém seria atingido, e foi.

E a mídia, a porca mídia colaborando com essa sacanagem dos golpistas. Nos chamam de baderneiros, vagabundos sem procurarem saber a verdade. Mostram poste derrubado. Ponto de onibus quebrados.

Covardes! Covardes! Covardes! isso são vocês golpistas.

Se escondem atrás da mesa. Emitem decretos dos tenebrosos tempos da ditadura militar mostrando o que verdadeiramente são, fascistas.

Não podemos parar.

Esses energúmenos transformaram uma nação em motivo de chacota lá fora.

Esses seres abjetos entregam as riquezas do país em troca de dinheiro e tapinha na bunda.

Esses criminosos estão acabando com os direitos do cidadão comum.

Essa quadrilha trata o povo como se inimigo fosse.

Ignorantes até a raiz do cabelo, mandam sufocar quem discorde do pensamento deles.

A cadeia é o único lugar em que poderiam estar.

Que país queremos pra nós e para as futuras geraçãos? É esse, o dos golpistas?

Precisamos nos definir. Ninguém pode se omitir neste momento. A omissão lhe faz igual aos covardes.

É essencial que a democracia volte. É primordial que o STF anule o golpe.

É condição sine qua non que a DIlma Rousseff seja reconduzida ao poder. Qualquer outra opção conduzirá o país ao retrocesso.

Os covardes que se apoderaram do poder já mostraram que não estão dispostos a entregar o poder. A repressão começou.

Ou enfrentamos ou abaixamos a cabeça definitivamente.

 

Geraldo Alckmin, no melhor estilo nazista, reprime manifestações contra o golpe.

Perdeu a visão do olho esquerdoParticipei, dia 01/09, da manifestação “Fora Temer” na Paulista. Concentração no vão do Masp.

Cheguei por volta das 18:00. Dei uma geral. Vi poucos manifestantes. Em compensação o aparato repressor era enorme.

Meu deus, eram muitos policiais!

Havia base móvel, comando tático, rocam, choque, GOE, polícia civil, cavalaria, dois caminhões de transporte do Choque e helicópteros. Moto contei umas 30. Policiais uns duzentos.

A maioria usava capacete, escudo, tornozeleira, joelheira, caneleira, cotoveleira, ombreira, cassetete, coturnos e rifles ou espingarda. Estilo “Robocop” ou, se preferirem, “Tropa Estelar”.

Visualmente, essa indumentária toda transforma um nanico num “Superman”.

As motos e a tático ficavam desfilando pela avenida. Pra lá, pra cá.

As vezes estacionavam. E os policiais desciam com armas em punho e gestos intimidadores. A ideia era assustar os suscetíveis à assusto, evidentemente.

Eram tantos que me perguntava se ia haver passeata ou desfile militar.

Próximo das 19 horas a manifestação ganhou corpo.

A maioria dos participantes eram composta por jovens. Entre 16 e 23 anos. Identifiquei algumas bandeiras. UBES, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e do PT. As mulheres eram as mais aguerridas.

19:30 começou o protesto pra valer.

Gritavam “Fora Temer”, “Fora Golpistas” e “Fora Rede Globo”.

Pediam o fim da polícia militar e eleições diretas. E cantavam. E nesse vai-e-vem de indignação o número de participantes foi aumentando, aumentando, até que, pelas minhas contas, chegamos a 1000 pessoas.

A polícia “intergaláctica” interrompeu o transito na Paulista. Tomada imediatamente pelos integrantes do movimento.

Os líderes negociaram com a PM o trajeto. Não consegui ouvir o que combinavam.

Enquanto conversavam, parte da tropa fez linha e bloqueou a avenida num sentido. Ou seja, proibiram o acesso dos manifestantes ao prédio da FIESP, Federação da Indústrias de São Paulo participantes do golpe de estado.

20:00, a passeata teve início.

Gritávamos “Fora Temer golpista”. “Fora Cunha”. “Fim da PM”. “O povo não é bobo, fora rede Globo” entre outras coisas.

Em certo momento a passeata homenageou a Débora, a garota que perdeu a visão esquerda atingida por bala de borracha disparada por algum policial. Emocionou.

Durante o trajeto fomos acompanhados pela PM. Do nosso lado direito PMs em fila e a pé, do outro, carros da tático. Atrás, o choque, mais carros e por fim motos.

Quando parávamos imediatamente dos carros desciam os policiais com armas em punho. Era clara a intenção de causar apreensão.

Chegando na esquina da Paulista com a Consolação outro bloqueio policial. Não entendi nada.

Os líderes pediram que sentássemos. Assim foi feito. Usando de jogral passavam as informações.

Ali era o fim da passeata.

O quê? Será que tinha ouvido bem? Fim da passeata?!

Não! Só podia ser brincadeira! Não tínhamos andado nem 400 metros!

Caramba! Esse protesto entraria para o livro dos recordes como a menor passeata do mundo! Pensei com meus botões.

Mas assim estava combinado com o PM.

No entanto, após deliberações surgiram outras propostas.

Dispersar? Não!

Ir em direção à FIESP? A repressão não deixaria.

Ir até o MASP e dispersar? Não! Ridículo.

Ir fazer escracho na Abril? Boa ideia!

Ir à sede do PMDB? Ovação! Gritos!

Beleza decidido! PMDB!

Só faltava combinar com os representantes da futura ditadura.

Quando nos levantamos percebemos que estávamos totalmente cercados pela polícia.

Todas as ruas bloqueadas. Não podíamos ir pra frente. Nem pra trás. Nem para os lados.

Presos! Irremediavelmente presos!

Pô! O que a PM queria com essa atitude? Que passássemos a morar na Paulista?

Que estupidez!

Imobilizados, só nos restava esperar os resultados das negociações.

De repente, correria! Princípio de tumulto! Gente caindo!

Olhei em volta e não percebi nenhuma movimentação por parte dos selvagens cães de guerra. Então o porquê desse corre-corre.

Vai ver que algum dos militares fez uma brincadeira inocente. Como, por exemplo, ameaçar disparar com arma não letal.

Bem, histeria controlada os líderes voltaram a confabular com o major.

Conversa vai, conversa vem, fomos instruídos a se dirigir a uma das ruas laterais. Ali estava liberado.

Ledo engano. Após alguns passos os que estavam na frente começaram a voltar. A polícia fechou este caminho também.

O major e seu segurança foram até onde estava o bloqueio. Conversou com um dos oficiais. E acabou voltando também.

Aparentemente o major só cantava de galo. Que comandava mesmo não estava ali e sim no helicóptero.

Não é por ser descendente de japonês, mas o major lembrava em postura e em vestimenta um samurai.

Bom, entendi porque o pessoal do PSDB acha que somos ratos. Estávamos numa imensa ratoeira. Tratados como ratos. Assim os golpistas nos enxergam.

Após 50 minutos, quase terminando minha carta de testamento, liberaram para que descêssemos pela consolação em direção República. Ainda bem!

Não acompanhei esse trajeto, estava muito cansado.

Parado, fiquei olhando a passeata se distanciar levando consigo o aparato repressor.

A melhor imagem que vem à minha cabeça quando relembro este último instante é a manada de bisões sendo seguida por uma matilha de lobos, pronto para, atiçar e atacar a qualquer vacilo.

Senti, naquele momento, que não havia ninguém para protege-los. Ninguém. Os jovens estavam entregues a sanha assassina dos golpistas. Não havia políticos, procuradores ou qualquer outra autoridade que pudesse interceder por eles.

Mais tarde soube, graças a mídia Ninja, que a passeata pacífica, no seu final, foi tumultuada por quem estava ali para garantir o direito à manifestação, ou seja, pela Polícia Militar.

Geraldo Alckmin, o governador, é culpado pela truculência da polícia.

É culpado porque toma atitudes fascistas.

Onde se viu! Se fosse os coxinhas as atitudes seriam totalmente diferentes. Tiravam fotos. Liberavam catracas do Metro, como foi feito em manifestações a favor do golpe.

O governador de São Paulo é lobo na pele de ovelha.

Os descalabros que comete transforma a instituição policial numa SS. Hitler ficaria orgulhoso do filhote.

Geraldo é do PSDB e os tucanos são os protegidos da Globo. Nada de corrupto que fazem tem a dimensão reduzida.

Globo e democracia, só uma sobrevive. E não pode, não deve ser essa emissora de sacripantas.

A Débora perdeu um olho no dia 31/08. Dia 01/09 foi um jornalista que perdeu os dentes e teve o lábio partido por bala de borracha. Coincidência? Óbvio que não!

A PM quando atira mira na cabeça. A ordem deve ser atirar para ferir gravemente ou matar. Pelo medo também se governa, acha o flibusteiro.

Mas quem semeia violência, colhe violência.

Tempos difíceis.

O ódio está solto.

Ganância de poucos levou o país a um estado de pré-guerra civil.

Mas se enganam quem acha que esse tipo de coisa irá nos intimidar. Não vamos voltar para a senzala.

Somos cidadãos, não servos!

A luta continua! Sem volta! Sem arrego!

E ratos são os conservadores, os fascistas, a imprensa hegemônica e os golpistas. E quem mais que acha que essa cambada está certa.

Manifestação em frente à casa do golpista, traidor Michel Temer.

povo sem medo 5Ontem dia 22 de Maio de 2016 houve mais uma manifestação contra o usurpador Temer e seus asseclas.

Organizado pelo movimento chamado “Povo sem Medo” os manifestantes se reuniram no Largo da Batata, Pinheiros, São Paulo.

As 15 Horas saímos em passeata em direção à casa do famigerado Michel Temer, notório traidor e usurpador de votos.

Era uma multidão, cerca de 30 mil pessoas. Diversificada. Havia branco, negro, pardo, índio, pobres, classe média. Mulheres, homens, gays, trans, crianças, velhos, adolescentes. Famílias. Mas acima de tudo, trabalhadores. Gente, que diferentemente dos usurpadores, vivem honestamente.

Cantando. Gritando palavras de ordens caminhávamos num ambiente de fraternidade, de união e de alegria.

Quando nos olhávamos víamos nos olhos uns dos outros o brilho da esperança, da certeza de quem tem a razão ao seu lado.

A Marcha entrava no local da moradia do traidor, Alta do Pinheiros.

Pra quem não conhece é um bairro “nobre”. Classe média alta, casarões, muros altos, condomínios de luxo, ruas largas e limpas, arborizadas. Praças lindas e cuidadas.

Alguns moradores, diante do barulho, saiam nas sacadas. Sentia estranha sensação. Tinha a nítida impressão que estávamos  passeando num zoológico, vendo aqueles animais tão esquisitos a nos observar.

E os seus semblantes transpareciam espanto, interrogação, desprezo e perplexidade pela ousadia de aquela gente perturbar a paz burguesa. Brancos, todos. Criados à leite Ninho.

Aproximávamos da residência do golpista Michel Temer. A quantidade de policiais aumentava. Até que nos deparamos com uma barreira de PM´s.

Estacamos, de lá não passaríamos.

A primeira linha de militares era composta de soldados notadamente novos. Sem um porte físico avantajado. Sem capacete, ou qualquer outro equipamento de proteção. Atrás deles oficiais e a tropa de choque. Esses PM´s imberbes foram postos ali de propósito. Qualquer provocação ou tentativa de pular a barreira resultaria em feridos, de ambos os lados. Era a deixa. O Choque entraria em ação, com violência exacerbada. E justificaria as atrocidades mostrando soldados feridos.

Mas não houve esse confronto.

Criou-se um impasse.  Nós não entraríamos na área cercada, mas também não sairíamos dali.

Os líderes do movimento formaram uma comissão, entre eles Guilherme Boulos e Ivan Valente, e foram conversar com os oficiais.

Enquanto conversavam, os outros manifestantes se revezavam em discursos. Uma das frases marcante foi quando uma coordenadora disse: deve ser triste para um PM ficar protegendo ladrão. E deve ser mesmo. Foi ovacionada.

Bem, o resultado do diálogo com os policiais foi o seguinte: eles não poderiam entrar e ponto final. Ordem superior.

Boulos ao microfone falou: bem já que não podemos entrar na zona de exclusão, nós dali também não sairíamos. E mais, montaríamos acampamento e só nos retiraríamos quando Michel Temer revogasse a anulação da contratação de 11 mil moradias do programa “Minha Casa, Minha Vida”, já assinada por Dilma Rousseff.

O pessoal rapidamente montou as barracas. Inclusive a emblemática lona preta.

Era nítido o incomodo da PM.

Os oficiais chamaram novamente os manifestantes. Ali no meio da rua não poderiam montar tendas. Direito de ir e vir dos moradores.

Os líderes sugeriram a praça ao lado então. Os policias ficaram de ver.

Passado alguns minutos vieram com a resposta: Não!

O confronto era inevitável.

Boulos pediu para que idosos, mulheres com criança saíssem dali e fossem imediatamente para estação do Metrô.

povo sem medo 3Aos outros solicitou que sentassem e não reagissem. E assim fizeram.

Cantando palavras de ordem esperaram. Não muito, porque PM não tem paciência.

Começou a espocar bombas de efeito moral, de gás lacrimogênio, balas de borracha e canhões de água. Este carro com o canhão de água foi uma surpresa. Até agora não sabemos onde estava escondido. Vai ver que na casa de algum morador

povo sem medo 4E o resto foi o de sempre. Correria. Gente passando mal. Desmaios e choros.

Mas a vitória foi nossa. Críamos um fato. O mundo está sabendo que o brasileiro é um povo digno. Que vai resistir ao golpe.

Não aceitaremos retrocessos.

Que bandidos se apoderaram do poder. Derrubaram uma presidenta honesta, sem crime de responsabilidade algum e legitimamente eleita.

Se só a luta é o caminho, então que trilhemos juntos esse caminho.

Não ao Golpe! Fora Temer! Volta Dilma!

E, pelo amor de Deus, quando voltar casse a concessão da Globo.

O medo e a raiva que a esquerda e a direita têm dos Black Blocs.

manifestacao blackA direita tem raiva, a esquerda tem medo. Tanto um como outro está certo com seu sentimento.

A raiva da direita se resume na destruição dos bens materiais e, talvez na afronta às autoridades constituídas.  A maioria dos governantes, não importa o patamar, foi educado debaixo de o chicote militar. Aprendemos a olhá-los como mitos. Seres acima do bem e do mal. No que seria hoje o ensino fundamental tínhamos que decorar a biografia, autorizada, das personalidades. Cantar hinos. Hastear bandeiras e dobrá-las segundo o modo da caserna. Marchar. Desfilar. Não rezou era terrorista. Pobre, só existia por preguiça e indolência.  Aprendemos a nos calar. Ou no máximo cochichar. Reunião era dispersa. Desempregado, um simples vagabundo. Humilhado, sem força, perdia o respeito próprio. Era o fim.

Mas os ares mudaram. Os usurpadores sufocaram. Procurando ar onde não mais existia. Se auto perdoaram pelos crimes. Uma, duas gerações haviam sucumbido sobre as botas da loucura. Os que restaram lutaram por teimosia.

Renasceram as manifestações. A porrada, também. Os tiros não eram de borracha. E o cassetete era de peroba. A PUC invadida. As diretas-já. O fim e o começo.

Tivemos que iniciar do zero. Eleições vieram. Partidos apareceram. Não dois. Mas quantos necessários. Os sindicatos voltaram. A constituinte de 88. Menestrel de Alagoas.

A democracia é construída no dia-a-dia. Não há choro, nem volta. O sol nasce. A lua também. As estrelas, nem se fala. É na insistência que se faz.

Quem viveu nesses tempos de escuridão sabe ao que me refiro. Nós não derrubamos ninguém. Nós não conseguimos julgar ninguém. Agora que se vasculham as histórias soltas de ex-guerrilheiros, de torturados sem motivos, de desaparecidos. Eles estão impunes. Vão morrer vivendo uma vida roubada de outros brasileiros.

Guardaram todo seu ódio numa caixa. A de pandora. Só esperando o momento de desabrochar. No fundo não há a “Esperança”.

Os lampejos de democracia foram fugazes, fogo de santelmo. Fogo fátuo queimando na lembrança.

Viver democracia não é viver votação. É viver justiça. E justiça é tão difícil de atingir. Há tantos interesses particulares e classistas. E um jogo de equilíbrio de prato chinês. Corre pra lá, corre pra cá. A democracia é dinâmica. Ela  exige cada vez mais democracia, sempre.

A esquerda tem medo. Será que dessa vez vai? Será que dessa vez não irá ter um golpe? Será  respeitada a vontade da maioria? Será que a constituição não será vilipendiada? Será que finalmente amadurecemos? E são tantos serás que nem dá para imaginar. A esquerda nunca ficou tanto tempo no poder. E através do voto. Quem sonhou e morreu por esse dia custa acreditar.  Pois, qualquer oscilação a democracia pode cair, numa lágrima de dor.

Os black blocs não sabem disso. A lógica de Talião é tudo que a direita quer. Quanto pior, melhor. Pode ser um pretexto, como foi o de 64. A Globo notícia, vazio de ideias. Apesar das criticas lhes dão uma visibilidade heroica. Como diriam os inocentes uteis.

A Dilma veio a público defender o coronel, quando os manifestantes apanham, ela não se pronuncia.

A polícia reprime com violência, então fazem o mesmo. Como se justificasse.

Os países berço desse movimento já vivem a democracia há muito tempo, não dá para importar. “Christiane F, Drogada e Prostituída” não tem nada a ver com nossa realidade. Nem eles.

Por essas bandas é hipocrisia. Uma polícia capaz de massacrar 111 presos. E encontrar quem defende essa barbárie. É injustificável. Polícia não é bandida. Ou não deveria ser. A mentalidade vem da ditadura que a treinou e a instituiu.

A truculência e o abuso policial tem que ser combatido com leis e punições. Unificar. E os governantes aprenderem a conviver com essa nova realidade. Nunca fogo-com-fogo. É covardia. Só em caso de quebra constitucional.

Bem, talvez seja isso que os saudosos do poder estejam fomentando, pois o caminho estará aberto  para mais um golpe no pobre continente da América do Sul.

O que a PM de Alckmin quer, manifestação no sambódromo?

protesto em spA manifestação pública é um ato democrático e constitucional. O cidadão tem do direito de se manifestar e o lugar lógico para passeatas são as ruas.

Num estado de direito não existe questionamento sobre o motivo da manifestação. Se é certo ou errado. Quem protesta é porque acha que está no seu direito. Quem discorda também. Então a análise não deve partir da verdade absoluta. Não há.

A manifestação pode ser individual ou em grupo. Ser resultado de uma explosão ou de uma discussão. Ideológica. Ou pontual. Não importa.

A marcha das vadias, a parada gay, a procissão, o encontro dos evangélicos, greves, ou seja, lá o que for, é aberto o espaço urbano. Não se pode nem se deve reprimir o livre direito de expressão. O dizer é independente da faixa etária, cor, credo, opção sexual e nacionalidade. Somos cosmopolitas.

Uma marcha sempre causará transtornos a outrem. As autoridades governamentais estão aí para administrar essa questão. Garantir segurança, organização e minimizar o transtorno.

Se já procederam dessa forma em outras ocasiões, não em todas, por que não tiveram o mesmo comportamento com os estudantes? Por que a manifestação está sendo reprimida com tanta violência?

Pode ser por puro preconceito com a nossa juventude. Aliás, preconceito revivido. Em 1977 o coronel Erasmo Dias, secretário da segurança do São Paulo, durante um ato de repúdio contra a ditadura, pediu às mães que viessem buscar seus filhinhos, pois eles estavam fazendo travessuras. Detalhe: os filhinhos eram estudantes de direito da faculdade do Largo São Francisco, da USP. Evidentemente que as mães não foram, aí o pau comeu solto. Exatamente como agora.

Do mesmo modo que esta triste figura imbecilizava os jovens de então, as autoridades atuais, pelo jeito, ainda têm a mesma intenção.

E, graças a nossa impoluta mídia e suas reportagens, do particular para o geral, sempre, foi adicionado alguns adjetivos aos indignados: o de baderneiros, drogados e quase bandidos. O que não é verdade.

Além do mais, juventude não é sinônimo de idiotia. Ou de alienação. Grandes poetas, escritores, artistas ou cientista surgiram novos. Certo?

No entanto concordo com o Haddad num ponto. Realmente os manifestantes não têm coordenação, nem liderança, por isso não há controle. Faltou discussão política entre eles, o objetivo do protesto não ficou claro, e não houve articulação com outras camadas da população. Isto ficou evidente com o aumento paulatino das reivindicações durante os eventos.

Bem, quanto à violência dos policiais militares não chega a causar espanto. É característica da corporação. A formação dela é herança da ditadura. Não existe diálogo. Comete erro que tenta negociar com a tropa.

Outra coisa, o comandante da PM estabelecer um itinerário para a passeata é querer provocar um confronto. Primeiro porque, como disse o prefeito de SP, não há liderança, portanto não há com quem conversar, depois, passeata não é formação unida e São Paulo não é um imenso quartel.

E, caso os manifestantes fizessem tudo que o oficial pedia, eles iriam acabar no sambódromo ou dentro de um estádio. Tudo ficaria bem, não é mesmo?

Agora, juntemos a incompetência das autoridades em administrar situações críticas, a falta de articulação e maturidade dos organizadores do protesto e o despreparo da polícia num mesmo caldeirão… o que teremos? Uma grande explosão.

Não, não é assim, como diz minha esposa, que se trata as pessoas. Faltou respeito e dignidade.

Tropa de choque. Carga de cavalaria. Bombas de gás. Espancamento. É peculiar a um regime de exceção. Democracia exige mais democracia. Diálogo e mais diálogo. Tem que saber conviver com os contrários. Com o contraditório.

Parem de bater. Garantam, isso sim, o direito de se manifestarem. Imediatamente.

Manifestação e Eleição.

Sexta-feira, dia 13 de setembro de 2012, amanheceu com o trânsito congestionado em diversos pontos. Para quem mora na cidade de São Paulo isto não é novidade. Acontece sempre.  O que chamou a atenção, e enervou o motorista, foi um engarrafamento que não estava no programa. Fugiu da normalidade. Da rotina, digamos.

Um protesto de cidadãos por moradia interditou o chamado Rodoanel por mais de uma hora. O principal objetivo desta rodovia é retirar os caminhões da área metropolitana, diminuindo consequentemente o trânsito da cidade, interligando as principais estradas que chegam à capital.

A fila de carros e caminhões parados chegou a 10 Km. Foi um teste de paciência. E de impotência. Alguns usuários buscavam se livrar desta angústia dirigindo na contramão.  Vã tentativa.  Nem pra frente, nem pra traz.  Quem leu “Não Verás País Nenhum”, do escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, com certeza se sentiu no próprio engarrafamento descrito pelo autor.

Porém, diferentemente do que acontece no livro, havia uma esperança para aquela gente presa no trânsito.  A polícia. Ela resolveria rapidamente o problema. Era só chegar, e com a costumeira educação e civilidade que lhe é peculiar, eles poriam fim à manifestação.

No entanto, os minutos passavam. E nada de polícia para solucionar aquele problema social. Os noticiários matutinos mostravam as imagens do movimento. Colocaram fogo pra bloquear o fluxo, informavam. Havia um caminhão de som. Muitos manifestantes. Bandeiras vermelhas desfraldadas.

As horas passavam. E, cadê a PM, os bombeiros? Geraldo Alckimin! Onde estás que não responde? Será que ele não estava sabendo do caos no rodoanel? Será?

Em outros eventos parecidos com este. E pelos mesmos motivos, a resposta das autoridades foi rápida. Bomba, cassetete e bala de borracha. Pronto. Fim do transtorno. Por que eles não tiveram a mesma atitude?

Ano de eleição é problema.  O José Serra, no pleito de 2010, aproveitou que lhe atiraram uma bolinha de papel e tentou capitalizar o fato. Foi para o hospital quase em coma. Foi a turma do PT. Esses assassinos, baderneiros. Bradavam a tropa do PSDB. Religiosos já lhe davam a extrema-unção. No fim sobreviveu. E continuou firme, rumo à derrota.

Bem, isso são acontecimentos passados. Voltemos ao engarrafamento. Como se vê, pelo histórico do PSDB e de José Serra, não é de se estranhar que o governador tenha segurado a sua policia de propósito.

Eles sabem que qualquer manifestação popular está, no imaginário do cidadão , automaticamente ligado ao PT. Então, é lícito pensar que estes senhores usaram politicamente o evento para angariar votos. Olha só a bagunça em que vai se transformar  São Paulo se o Haddad vencer, alertam. Vivem do ódio e do medo.

Só que passaram do ponto. E o leite ferveu. Pois, as providências que se faziam necessárias demoraram tanto, mas tanto que os manifestantes foram embora. O fogo se apagou. Os obstáculos foram retirados. E a tropa de choque e os bombeiros não chegaram.

Foi mais um ato de total descaso com a população por parte de nosso governante mor. Uma covardia. Concordam?