“vou sair dessa crise antes que se pensa”, disse MT. Aí é que mora o perigo.

Michel Temer afirmou: “vou sair dessa crise antes que se pensa”.

Aí reside o perigo. Se esta frase fosse dita por uma pessoa de caráter louvável poderíamos interpretar de maneira amigável. Mas… em se tratando de um traidor, golpista, corrupto e quadrilheiro temos que temer cada palavra.

O MT tem a chave do cofre, tem a caneta, tem o poder e exerce o poder de chefe da nação. Some-se a isso um cara de perfil inescrupuloso, comandando um bando de criminosos e que tem como missão implantar uma agenda ultra neoliberal .

Seu modus operandi já é conhecido. Vide os banquetes palacianos. A dotação de emendas parlamentares. A não cobrança da dívida de 25 bilhões do banco ITAÚ. A entrega do pré-sal aos americanos e etc.

Por ser quem é, a única maneira dele sair dessa crise rápido é distribuindo mais benesses e acelerar a aprovação do pacote de maldades contra a população.

O usurpador perdoará dívidas de grandes bancos, empresas, em troca de apoio. Emprestará dinheiro a juros baixíssimos a grandes financistas, em troca de apoio. Comprará parlamentares, em troca de apoio. Entregará nossas riquezas minerais aos americanos, em troca de apoio. Aumentará salários e benefícios de uma casta, em troca de apoio. Acabará com os direitos trabalhistas, em troca de apoio. Dizimará com todos os programas sociais, em troca de apoio. E deixará roubar, em troca de apoio. Exterminará um projeto de país, em troca de apoio.

Se queremos salvar o que resta do Brasil, Michel Temer tem que ser imediatamente retirado da presidência. A força, se preciso.

O risco de sua manutenção é não existir o país quando ele finalmente sair da crise.

Renúncia Papal

raiovaticanoO sumo pontífice Bento XVI, no último dia 11 de fevereiro, anunciou sua renúncia ao papado.

Tal fato não acontecia desde 4 de julho de 1415 quando Gregório XII deixou o comando da igreja católica. O papa desse período renunciou com a intenção de por fim as lutas internas pelo poder, durante do Grande Cisma do Ocidente.

Bento XVI não explicitou diretamente o motivo que o levou a tomar esta atitude.

Porém, após seus pronunciamentos, é possível que sua abdicação ao trono de Pedro tenha sido pelos mesmos motivos de Gregório, desavenças internas de seu pontificado.

Será que foi esse o motivo?

Bem, como não sou um estudioso dos assuntos do Vaticano resta especular sobre as razões desse ato.  Vejamos.

Motivo 1. A igreja católica tem a mesma estrutura de uma corte de monarcas, de séculos passados. O rei é o papa e os nobres, os cardeais. E, assim como esses antigos senhores feudais, o pontífice só abandona o poder através da morte, natural ou não, ou da abdicação. E sofre dos mesmos problemas que afligiam os soberanos: intrigas e fofocas.

Porém quem se permite assumir ao comando máximo dos católicos não deve estranhar esse tipo de comportamento por parte de seus pares. Ele, obrigatoriamente, sabe gerenciar esses eternos jogos de vaidades. Pois, em algum momento Ratzinger também participou desses eventos. Esteve do outro lado. Certo?  Não creio nessa causa.

Motivo 2. Ele disse que com sua desistência seria promovida uma “verdadeira renovação da Igreja Católica”.

Há oito anos no poder e agora ele fala em verdadeira renovação? Então estava fazendo uma renovação de mentira? Ou estava sofrendo boicote por parte de algum grupo?

Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil, alegou que “forças ocultas” o impediam de governar. E deixou o governo e um país estupefato.  Mas esse político brasileiro tinha tendências ditatoriais e mandato por um período. O santo padre, ao contrário, não precisa se preocupar com o tempo que ficará no poder. E o cargo lhe confere poderes quase absolutos.

Motivo 3. Político. Será que foi uma queda de braço entre a direita e a esquerda?

O papa é um conservador, ala que domina a igreja. E, como João Paulo II, combateu a teoria da libertação. Linha mais à esquerda do catolicismo.

Não acredito neste conflito, pois Joseph Ratzinger, na década de 80, ocupou o cargo de prefeito da Congregação para Doutrina da Fé. Um cargo que exigia um perfil direitista. Ele foi comparado aos antigos inquisidores.  Não é qualquer um que consegue esse feito. Joseph está alinhado com o grupo dominante.

Motivo 4. Tem a ver com o motivo 3. Será que existe um poder paralelo, totalmente radical? Que não aceita a resolução do Concilio Vaticano.

O bispo de Roma defendeu, após anunciar que deixará o papado, que sejam mantidas as metas deste Concilio.  Será que alguns cardeais estavam trabalhando contra as metas do Concílio?

Esta assembleia foi realizada entre 1962 e 1965, comandada por João XXIII. O objetivo era modernizar e atrair mais fiéis para o catolicismo.

Entre algumas modificações apresentadas nessas conferências estão:

Missa rezada no idioma de cada país, com o padre de frente para o público. Mulheres e homens leigos (que não são do clero) podem ajudar na celebração.

Posição contrária ao sexo antes do casamento e ao aborto, mesmo em caso de estupro.

Respeito a outras crenças. Aceita a ideia de que, por meio de outras religiões, também é possível conhecer Deus e a salvação.

“Santos” não canonizados são abolidos. Cristo volta a ser o centro das atenções na missa.

Cai o uso obrigatório da batina: agora, os padres podem usar trajes sociais. Segue a proibição ao casamento e ao sexo.

Só se for isso, certos cardeais querem retroceder ao período anterior ao concílio.

Motivo 5. Não aguentou a sequência de escândalos e protestos que se abateu sobre a igreja católica. Casos de pedofilia. Má conduta do Banco do Vaticano. Protestos dos mulçumanos e etc.

O papa demonstrou não ser hábil no gerenciamento dessas crises. Preferiu não enfrentá-los de frente. Principalmente nos que diz respeito à pedofilia. Optou por esconder e transferir sacerdotes. Achou melhor conviver com a impunidade, a princípio.

Quanto a isso escreveu Christopher Hitchens, na Newsweek: “Remova mentalmente as vestimentas papais e o imagine num terno, Joseph Ratzinger se transforma apenas num burocrata bávaro que tem falhado na única tarefa que lhe foi estipulada – a de controle de danos”.

Motivo 6. Crise intelectual. O sumo pontífice cansou da burocracia preferiu voltar aos livros, aos alunos, às discussões, às reflexões.  O cargo exigia que renegasse aos seus pensamentos. Vai ver não concordou. Totalmente diferente de certo político da América do Sul que orgulhosamente pediu para que as pessoas esquecessem tudo que havia escrito, um pouco antes de assumir o poder.

Motivo 7. Estava com a saúde abalada. Sentiu que não tinha mais condições físicas de suportar as exigências do cargo. Pediu para ir embora.  Ele criticou o comportamento de João Paulo II, que mesmo gravemente enfermo continuou a ocupar o cargo.

A verdade verdadeira nunca saberemos.

Ele falou também em hipocrisia. Ao que se referia?

bento xviJoseph Ratzinger terá, ainda, que viver enclausurado. Escondido.

O novo bispo de Roma terá a sombra de um ex-papa a espreitá-lo. Calculem o estrago que Ratzinger pode fazer se der uma declaração pública desdizendo o sumo pontífice em exercício.  Principalmente sobre o entendimento de Deus. Teremos um novo cisma.