Pronunciamento do delegado-geral de São Paulo.

Aconteceu num bar na zonal sul de São Paulo, Capital. Eram 23h30min de sexta-feira, dia 4 de janeiro de 2013. Homens rotineiramente encontravam-se conversando e bebericando no estabelecimento comercial. Fato comum nas periferias das grandes cidades. Quando de repente chegaram três carros. Desceram 14 homens armados gritando “polícia, polícia” e começaram a disparar. Total de mortos: sete pessoas. Os que fugiam eram perseguidos e mortos.

Bem, seria mais uma chacina senão fosse a presença do delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Blazeck, na cena do crime.  O que provocou muita surpresa. Visto que, quem geralmente comparece no local desses morticínios são investigadores. E, às vezes, delegados de distritos.

E mais espanto ainda causou a declaração concedida, a rede Globo, por Blazeck: um dos mortos era a pessoa responsável pela gravação do vídeo em que é mostrada uma guarnição da PM executando um provável suspeito de crime, após este já estar detido. Traduzindo: a principal testemunha deste crime foi assassinada. Em represália, apenas. Pois a filmagem feita, por si só, deixa evidente quem foram os autores do homicídio.

E por que do espanto? Porque não foi qualquer um que deu a entrevista. E sim a autoridade máxima da polícia civil. E ele não seria leviano para ligar um caso ao outro senão tivesse certeza.

O problema foi que com esta entrevista ele ligou, automaticamente, a PM aos assassinatos. E mais, deixou claro que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não possui controle algum sobre sua força de segurança. E que o mesmo não possui a liderança, coragem e apoio suficientes para resolver a questão da violência no estado.

Por isso, rapidamente o governo tratou de desmentir as declarações de Maurício. Disse Geraldo que não há indícios, que ninguém sabe quem é o autor da filmagem, que um caso não está comprovadamente ligado ao outro, que todas as hipóteses serão investigadas e etc. e tal. Coisas já ditas anteriormente.

Caramba! Se a polícia não sabe quem é o autor da filmagem nós estamos ferrado. Cidadãos a espera de justiça, esqueçam. Nenhum delito será esclarecido. O governador confirmou: os agentes da secretaria de segurança pública não têm a mínima capacidade de investigação.

O Bar fica em frente da casa do primeiro crime, o vídeo foi feita a partir da residência vizinha. A rua é estreita. Os moradores ainda estão lá. São os mesmos. O horário do ocorrido se sabe. E dizer que ninguém conhece a pessoa que filmou?!  Assim não!

Agora governador não há como reparar. Está gravada a fala do delegado-geral. A não ser que a mídia dê, mais uma vez, uma mãozinha e esconda a fraqueza dos atuais governantes.

Há um dito, de aproximadamente seiscentos anos, que diz: só há três coisas que não podem voltar atrás. Os chamados três erres. Rei, raio e rio. Acrescento mais um “R”, o de “record”.

As polícias deveriam ter sido imediatamente unificadas após o fim da ditadura. A segurança pública dividida só atrapalha.

Qualquer reunião tem que haver a participação de vários militares e outros tantos delegados. É muita gente. É um trabalhando contra o outro. A vaidade falando mais alto que a prioridade. As informações cruciais não são repassadas. É Civil trocando tiro com PM. É PM invadindo delegacia para resgatar militar detido. Operações que não são comunicadas. Um matando o outro. Um passando por cima da função do outro. São salários e bônus diferenciados. Só há desvantagens. Um balaio de gato.

Então, por que não unir? Qual a dificuldade? É política? São melindres? Ou poderíamos dizer medo de tomar esta atitude? Para que manter a mordomia de meia dúzia de coronéis?

Estas observações e questionamentos valem para todos os estados da federação. Para qualquer país democrático.

Outra coisa, o Ministério Público Estadual e a polícia mantém uma relação promíscua aqui em São Paulo.  Como pode ser secretário da segurança pública um promotor público, se um deve ser independente do outro? Como pode haver cobrança? Uma das causas desse absurdo também é esta divisão das polícias.

Bem, há uma segunda solução. Desmembrem a Secretaria de Segurança Pública em duas.  Uma ligada à PM e outra à Civil. E, quem sabe, daqui a mais vinte anos de governo do PSDB se chegue à conclusão, após mais um chacina, de que São Paulo precisa é de dois govenadores. Um civil e outro militar. Unificar, nunca!

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