Governantes, voltem à realidade: não existe democracia sem povo.

protesto em sp 2Estas manifestações não acordaram o gigante, como dizem alguns cartazes e insinuam os meios de comunicação. O povo brasileiro nunca esteve dormindo.  A população sempre esteve indignada. Sempre foi contra a corrupção.  Contra o autoritarismo. Contra a falta de voz. Contra o pouco caso das autoridades. Contra a manipulação midiática de informação. “Fora rede globo, o povo não é bobo”.

Um jovem achar que finalmente o povo despertou é natural. Afinal, a história do país é ensinada sob a óptica dos poderosos. Agora a mídia reafirmar é sacanagem.

AÍ vem o repórter velho da Globo, Alexandre Garcia, dizer que nunca viu uma manifestação como essa. Um absurdo, além de covarde. Modo infame de manter os status quo da imprensa. De cooptar mentes e corações, novamente.

Não se deixem levar pelo inconsequente. Alfaiates. Balaiada. Farroupilhas. Canudos. Contestado. As mulheres de Alagoas. Movimento dos metalúrgicos. Diretas já. Os protestos estudantis do final de 70 e no decorrer dos anos 80.  Foram grandes movimentos, mobilizaram a totalidade da população, sem rede social. Apenas mal estudadas e ou simplesmente colocados de lado na grade escolar.

No “Fora Collor” houve apoio de toda a sociedade, de todas as localidades. Alphaville, bairro isolado e de classe alta de São Paulo, aderiu ao movimento. A elite foi às ruas. Sem se misturar, é claro. Dizíamos à época.

Uma manifestação não é mensurável. Não é uma competição. Como querem fazer crer.  Vã tentativa de roubar a história. A imprensa midiática tem medo. São hostilizadas nos movimentos.  Agora só de helicóptero. Sabem como agem.

As manifestações são legais e legais. Só temos a ganhar. É um santo remédio para a democracia. Ir a rua protestar provoca. Instiga. Aprimora. Aquilata. Elas trazem à realidade os governantes. Tão entorpecidos pelo poder.

O PT, principalmente, ou unicamente, dever colocar os pés no chão. Ele surgiu das bases. Dos botons. Das fitinhas. Do dia-a-dia. Da militância. Da borrachada. Da ameaça. Reaprendam com a população. Acordem.

No filme “A ponte do rio Kwai” há uma passagem que ilustra bem o choque de realidade. Durante a segunda guerra os ingleses são feitos prisioneiro pelos japoneses e obrigados a construir uma ponte. Por ela irá passar armamentos e tropas. O Oficial inglês, querendo mostrar o orgulho e a superioridade britânica, força os seus comandados edificar uma ponte sólida. E com essa intenção esquece que estão em guerra e qual o dever de um soldado. No dia que seria o da inauguração o coronel inglês percebe que ela irá ser explodida por um comando e incontinente dá o alarme aos japoneses. Porém, quando vê os militares ingleses sendo mortos, perplexo e incrédulo, se pergunta: o que eu fiz? Trabalhou para o inimigo, virou um traidor. E, digamos, caiu na real.

Se os governantes souberem interpretar as ruas entenderão. Se não, teremos outro PSDB.

Erundina, então do PT, tentou e não conseguiu por falta de apoio popular implantar a tarifa zero. Ela foi massacrada pela mídia. Por ser do Partido dos Trabalhadores, por ser nordestina e por tentar amenizar o sofrimento da população. Institui, também, o passe desemprego. Maluf em seguido suspendeu o benefício, temporariamente. Alegou corrupção. Até hoje dura o “temporariamente”. Por essas ousadias, Luiza Erundina teve seu único bem confiscado, um apartamento. Amigos fizeram “vaquinha” para recuperá-lo.

A Marta Suplicy, do PT, implantou o Bilhete Único. Foi ameaçada de morte. Apelidada de Martaxa e massacrada pela imprensa, não conseguiu ser reeleita.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, tem a oportunidade de fazer o que elas tentaram e não conseguiram. Aproveite o apoio e o titubeio da GLOBO, da Veja e faça uma revolução no transporte público.

E os trens e o metrô? Bem, é muito mais difícil. O PSDB está no governo estadual há vinte anos e nada fizeram. A linha amarela do metrô acabou de ser entregue a iniciativa privada. E sabemos, o empresário almeja o lucro. E detesta concorrência. No caso do transporte é um paraíso para estes senhores: não há disputa pelo mercado. Só se Alckmin fizer uma revolução. Infelizmente, palavra detestada pelos neoliberais. A eleição é em 2014.

E por falar em empresários, por onde anda esses senhores feudais neste momento? Não dão entrevistas ou os jornalistas não os procuram? Parecem banqueiros diante da crise econômica, somem.

Segundo Haddad, são três os atores na formação do preço da passagem: prefeitura, empresariado e população. A população entra com 70 % nos cálculos.

Para diminuir o preço da passagem só ouço falar em aumento ou diminuição de impostos. Ou seja, por tabela o cidadão continuará a pagar ou aumento do transporte, de maneira disfarçada. E o outro?

Os judeus fazem jejum para recordar o sofrimento do seu povo, os cristãos também. Em todas as culturas existem rituais para preservar as suas memórias. A democracia também tem a sua liturgia. E o seu rito são as manifestações. A história a preservar é a população.

Além do mais, as manifestações são tão importantes que não deveriam ser só um direito, mas um dever de cidadania.

O Brasil nunca dormiu. Desmaiou, depois de muita briga, sob o peso da repressão, do coturno.  Mas é só cheirar vinagre para levantar. Certo?

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